Mediterrâneo continua a ser «sepultura»

O Comité Internacional da Cruz Vermelha pediu, no início da semana passada, a tomada de acções urgentes para travar o «massacre» de migrantes que ocorre no Mediterrâneo. O apelo ocorreu depois de no fim-de-semana de 2 e 3 de Junho mais de uma centena de pessoas terem morrido em dois naufrágios de embarcações que partiram da Tunísia e da Turquia.

«Não podemos manter o silêncio. Embora apreciemos todos os esforços feitos pela ONU em Nova Iorque durante as negociações do Pacto Mundial para os Migrantes e Refugiados, a situação actual não mudou», pelo contrário, «ficou pior», sublinhou o presidente da organização, Francesco Rocca, citado pela Lusa.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), só este ano mais de 33 mil pessoas ingressaram no continente europeu desde Janeiro de 2018. Desde Janeiro de 2017, a cifra ascende a mais de 160 mil pessoas.

Estima-se igualmente que este ano já tenham morrido na travessia do Mediterrâneo cerca de 3000 migrantes e refugiados, a maioria oriundos da África subsaariana. A rota mais utilizada pelos traficantes e também a mais perigosa é actualmente a passagem entre a Líbia e a Sicília, calcula a OIM. Muito devido ao facto de a União Europeia ter assinado com a Turquia um pacto, em 2016, destinado a diminuir o fluxo migratório pelos Balcãs e entre territórios turcos e a Grécia.

Já este sábado, 9, as autoridades líbias resgataram mais de 150 pessoas de duas embarcações pneumáticas à deriva no mar que separa o Norte de África do Sul da Europa. Na última semana, a marinha italiana diz ter salvo mais de mil seres humanos, entre os quais 629 colocados a bordo de um navio de uma organização humanitária que, até anteontem, tinha sido impedido de aportar por Itália, primeiro, e Malta, depois (ver página 22). Entretanto, a Espanha anunciou que vai receber os migrantes, entre os quais se encontram 123 crianças.



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