Ferroviários lutam pelos direitos e pelo serviço público
Parlamento aprova reforma ferroviária e sindicatos prosseguem a luta

FRANÇA A polémica reforma ferroviária, contestada pela greve mais longa nos caminhos-de-ferro gauleses nos últimos 30 anos, foi aprovada, dia 14, pelo parlamento francês.

O projecto foi aprovado pelo Senado, por 245 votos contra 82, depois de, na véspera, ter reunido o apoio de uma larga maioria na Assembleia Nacional (452 a favor, 80 contra e 27 abstenções).

A direita, pela voz do senador Gérard Cornu, de «Os Republicanos», apressou-se a declarar que, com a aprovação da lei, a greve, que dura há mais de 30 dias, «já não tem utilidade».

Os sindicatos, por seu turno, reafirmaram a sua oposição à reforma liberal, que prevê acabar com o actual estatuto dos ferroviários, fazendo tábua rasa de um amplo conjunto de direitos laborais conquistados ao longo de décadas, nomeadamente relativos ao acesso à reforma e à estabilidade de emprego.

O governo de Emmanuel Macron insiste que é preciso alinhar os custos da companhia pública (SNCF) com os dos concorrentes estrangeiros, com vista à abertura do sector à concorrência.

A perspectiva da privatização a retalho da SNCF está implícita no projecto, que prevê a sua transformação em sociedade anónima e determina o estabelecimento de um calendário para a abertura da ferrovia aos operadores privados.

Embora tenha sofrido alterações para contemplar algumas reivindicações dos sindicatos e assim quebrar a resistência dos trabalhadores, o texto conserva os seus objectivos originais intactos.

Por isso, ao mesmo tempo que os deputados votavam no hemiciclo, a frente intersindical (CGT, Unsa, SUD, CFDT) apelava aos ferroviários a prosseguirem a greve e a uma mobilização massiva para a jornada do próximo dia 28, último dia da série de greves iniciada em Abril, ao ritmo de dois dias de paralisação em cada cinco.

Convergindo com a luta dos ferroviários, a CGT, FO e as organizações estudantis UNL e Fidl convocaram para a mesma data uma jornada nacional de luta, com iniciativas em todo o território, em defesa dos direitos dos estudantes, dos trabalhadores, desempregados, reformados e pensionistas.

Os ferroviários «estão determinados» a prosseguir a luta, declarou o secretário-geral da CGT-Ferroviários, Laurent Brun, num momento em que se iniciam as negociações sobre a convenção colectiva do sector que substituirá, a partir de 2020, o estatuto do ferroviário.




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