EUA não encaram a redução das suas tropas na Coreia do Sul
Paz ainda distante na península coreana

EXIGÊNCIAS Os EUA apresentam 47 exigências a Pyongyang para a desnuclearização da península coreana. Anunciaram a suspensão de manobras militares com Seul mas não vão retirar tropas da Coreia do Sul.

O líder da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong- -un, esteve anteontem e ontem, 19 e 20, em Pequim, onde manteve conversações com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, sobre a situação na península coreana. Kim já tinha visitado a China em Março e em Maio, antes de se encontrar com o presidente dos EUA, a 12 deste mês, em Singapura.  
A Casa Branca anunciou, entretanto, que se mantém a «suspensão temporária» dos exercícios militares anuais «Ulchi Freedom Guardian», com a Coreia do Sul, enquanto os norte-coreanos «continuarem de boa-fé». As manobras conjuntas estavam pre­vistas para Agosto e outros exercícios, já agendados, ainda não foram «suspensos». Os norte-coreanos sempre consideraram estas manobras militares uma «pro­vocação» e uma séria ameaça à paz na península.
O presidente Trump afirmou, após a cimeira com o líder norte-coreano, que vai cessar os «jogos de guerra» com a Coreia do Sul por considerá-los provocadores, caros e inadequados. Também o presidente sul-coreano, Moo Jae-in, expressou a sua vontade de suspender os exercícios militares, mas, tal como os EUA, condicionou a sua realização à «implementação das medidas de desnuclearização» por parte de Pyongyang.
O ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, Taro Kono, disse no domingo, 17, que os EUA apresentaram 47 exigências à RPDC para lograr a desnuclearização da península coreana. Precisou que o secretário de Estado, Mike Pompeo, sublinhou durante a recente visita a Pyong­yang que Washington entende por desnuclearização a total liquidação, «de forma verificável e irreversível», das armas nucleares e outras armas de destruição massiva, assim como todas as instalações relacionadas.
Segundo Kono, enquanto não houver uma desnuclearização completa «não se eliminarão as sanções contra a Coreia do Norte» e, neste momento, não se encara uma redução das forças armadas estado-unidenses na Coreia do Sul.


Um passo no sentido

de uma solução pacífica

«Tendo em conta a realização da cimeira entre Kim Jong-un, presidente da Comissão de Assuntos de Estado da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América», a 12 de Junho, em Singapura, e os compromissos entretanto tornados públicos, o PCP considera que esta cimeira – na sequência da Declaração de Panmunjom, firmada a 27 de Abril entre a RPDC e a República da Coreia – «poderá representar um passo no sentido de uma solução pacífica para um conflito que se arrasta há mais de 65 anos devido à política intransigente e agressiva dos EUA, que mantém na Coreia do Sul um poderoso dispositivo militar», afirma uma nota do Gabinete de Imprensa do PCP.
Recordando que no passado foram estabelecidos acordos e compromissos entre a RPDC e os EUA que não foram posteriormente respeitados e cumpridos pelos EUA, o PCP considera que uma solução para o conflito «exige o respeito dos princípios da soberania e independência nacional, do direito de o povo coreano decidir dos seus próprios destinos, no caminho para a concretização da sua aspiração à reunificação pacífica da Coreia».




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