- Edição Nº2325  -  21-6-2018

Assembleia do PCP aponta ao desenvolvimento do distrito de Bragança

ALTERNATIVA Da VII Assembleia da Organização Regional de Bragança do PCP, realizada no sábado, 16, em Mirandela, saíram propostas para o desenvolvimento da região, assente na produção nacional, na melhoria das acessibilidades e transportes e na recuperação dos serviços públicos.

Dezenas de militantes comunistas de vários concelhos do distrito de Bragança aprovaram por unanimidade a Resolução Política da assembleia, que teve como lema «Pelo desenvolvimento da região, um PCP mais forte». O tema do desenvolvimento foi central na assembleia, pois se há região que retrata na sua plenitude os efeitos dramáticos da política de direita é, sem dúvida, o distrito de Bragança. Os números aí estão a comprová-lo.

Segundo o último recenseamento, entre 2001 e 2011, Bragança perdeu quase 13 mil habitantes. Cruzando estes dados com os da Pordata verifica-se que de 2011 até 2015 o saldo populacional é novamente negativo, com a redução de mais 7308 pessoas. Ou seja, em 2011 o distrito contava com 148 883 habitantes e em 2015 estes não chegavam a 129 mil. Em apenas quatro anos, o distrito perdeu mais de cinco por cento da sua população.

Os responsáveis por esta grave situação, que leva a que o vasto distrito de Bragança tenha uma população muito inferior à de grande parte dos concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, são identificados no documento, como o foram logo na primeira intervenção da assembleia, proferida pelo responsável pela organização regional Filipe Costa, membro do Comité Central: os sucessivos governos do PS, PSD e CDS, ao assumirem opções políticas que «depauperaram as condições de vida de quem cá reside e trabalha».

Foram os governos destes partidos, acusou, que encerraram linhas ferroviárias, deixaram degradar ligações viárias e privatizaram a Rodoviária Nacional; fecharam centenas de escolas, desclassificaram os hospitais de Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Bragança e reduziram horários de atendimento nos centros de saúde; fecharam delegações e agências da RTP, EDP, PT, CTT e Caixa Geral de Depósitos; diminuíram competências dos tribunais, extinguiram freguesias e impediram a criação das regiões administrativas.

É ainda responsabilidade sua, acusou Filipe Costa, o ataque aos baldios, a atribuição de fundos para não produzir, a desvalorização dos produtos endógenos, a destruição do Complexo Agroindustrial do Cachão e da indústria extractiva, a degradação dos direitos dos trabalhadores e a desvalorização das reformas e pensões.

Em resumo, afirmou o membro do Comité Central, «mandaram as pessoas embora porque lhes retiraram condições para cá ficar».

Mudar de rumo

Nas várias intervenções proferidas na assembleia – da de Filipe Costa à de Jerónimo de Sousa, passando por muitas outras, de militantes dos vários concelhos – apontou-se o caminho para inverter o rumo de desertificação e abandono que marca o distrito de Bragança. A Resolução Política aprovada inclui um conjunto de medidas que corporizam um Plano Estratégico de Desenvolvimento Regional. São elas:

Como afirmou Jerónimo de Sousa no encerramento da assembleia, «não se pode ficar à espera que aqueles que afundaram o País o venham agora recuperar e salvar sem alterar as políticas de fundo». É para essa alteração profunda que aponta o PCP, na região como no País, e é principalmente da força do PCP que ela depende.

Mudar de política
e de protagonistas

Na intervenção com que encerrou a assembleia, Jerónimo de Sousa insistiu na necessidade de se dar uma resposta de fundo aos muitos problemas com que o interior se confronta. Valorizando as conclusões da assembleia, e as propostas aí apresentadas, o Secretário-geral denunciou os «anos e anos de bonitas palavras de PS, PSD e CDS sobre a coesão do território nacional», lembrando que o que marca esse período é, na verdade, o «abandono efectivo» do interior.

O dirigente comunista denunciou a aceleração e aprofundamento dos «fenómenos negativos de desertificação, envelhecimento, estagnação e declínio das actividades económicas», provocados e acelerados pelos sucessivos governos da política de direita. Jerónimo de Sousa acusou-os ainda de fragilizarem os sectores produtivos que deveriam garantir o modo de vida das populações, onde as políticas agrícolas têm um papel de relevo. «Também as políticas orçamentais restritivas penalizadoras do interior e a canalização dos fundos comunitários a favor dos grandes interesses e do grande capital económico e financeiro» mereceram a crítica de Jerónimo de Sousa.

Relativamente ao reforço do Partido, o dirigente comunista realçou a «tarefa de realizar cinco mil contactos com trabalhadores até ao final de 2018» e a importância da entrega do novo cartão. Uma e outra requerem a contribuição e iniciativa de militantes e organizações, apelou.

Voz ímpar que urge reforçar

Para além do distrito foi a situação do Partido e da sua organização a serem escalpelizada na assembleia do passado sábado. Também relativamente a esta questão foram traçadas linhas de orientação claras visando o reforço da organização, intervenção e influência do Partido. Uma realidade sobressaía olhando para a mesa que presidiu à assembleia: o elevado número de jovens que hoje assumem responsabilidades partidárias naquele distrito tão envelhecido.

A adesão ao Partido, entre 2014 e 2017, de 32 novos militantes; as cinco comissões concelhias e uma comissão inter-concelhia com funcionamento regular; a presença frequente dos comunistas junto dos trabalhadores e das populações e o trabalho de agitação e propaganda; e os avanços registados na distribuição da imprensa partidária foram aspectos sublinhados. Para estas e outras áreas, a assembleia definiu objectivos para continuar a crescer.

Ao nível institucional, a CDU tem eleitos municipais em Bragança e Mirandela e nas freguesia dos Cortiços, Rabal, Candedo e Pinhal do Norte. Em várias intervenções destacou-se o papel ímpar desempenhado por estes eleitos, ao levarem os problemas das populações e as análises e propostas do Partido aos órgãos do poder local.