Debate quinzenal com o primeiro-ministro
Carências na saúde podem agravar-se no Verão

LUSA


Para a falta ou insuficiente resposta do Governo aos problemas que há muito se arrastam no SNS, em resultado das limitações de investimento, chamou igualmente a atenção Jerónimo de Sousa, alertando o primeiro-ministro para os riscos acrescidos potenciados pela época balnear aí à porta.

E começou por desmascarar a campanha de que os serviços públicos de saúde continuam a ser alvo, visando a sua «desacreditação», operação com a qual os seus autores «pretendem convencer os portugueses de que é preciso ir mais longe na transferência da prestação de cuidados para os grupos privados».

«Os mais de 3,5 mil milhões de euros através das PPP, do regime convencionado e das contratações de serviços, transferidos para os grupos privados, já não são suficientes», denunciou o líder comunista, tratando de lembrar que «para os grupos privados, cuja lógica de funcionamento assenta na doença, quanto maior for o lucro melhor».

Daí que para o PCP seja inaceitável que haja dinheiro para transferir para os privados mas não haja para resolver carências e problemas prementes. Necessidades concretas que continuam por satisfazer, como seja a contratação de milhares de enfermeiros em falta nos serviços, ou a situação dos «mais de 1000 médicos que não tiveram acesso à formação especializada desde 2015», não obstante a falta de especialistas em todos os hospitais e nos cuidados primários.

Mas é também o caso dos «serviços de radiologia que encerram à noite por falta de técnicos de saúde»; ou o das centenas de milhares de portugueses sem médico e enfermeiro de família», situações que no entender do líder comunista «exigem do Governo medidas de emergência que não se compadecem com uma política obsessivamente dependente do défice das contas públicas».

Medidas, exemplificou ainda, como as que a bancada comunista propôs em projecto de resolução com vista a recrutar os profissionais em falta.

«Para quando este recrutamento?», questionou por isso Jerónimo de Sousa. E pegando em palavras de António Costa em resposta minutos antes a outra bancada – «o Governo tem feito um esforço», disse o primeiro-ministro -, o líder comunista convidou-o a reconhecer que não basta, «é insuficiente», e que os problemas «podem agravar-se já na época balnear que se aproxima».

O chefe do Governo insistiu que há hoje no SNS «mais oito mil profissionais», entre médicos (mais 3600) e enfermeiros (mais 3000), «comparando com 2015». E afiançou, aludindo aos que referem (como PSD e CDS) que o problema está na redução para as 35 horas, que relativamente a 2011 (em que o horário era ainda de 35 horas semanais, antes de o Governo PSD/CDS proceder ao seu aumento para 40), que mesmo assim «há mais três mil médicos e mais 1700 enfermeiros».

«Dir-me-á, ainda assim, que eram então insuficientes e que agora são também insuficientes. Não discuto. O que digo é que o caminho que temos vindo a percorrer é um caminho sustentado, continuado, de reforço dos recursos humanos e é um esforço que irá continuar com medidas suplementares nesta época de Verão», asseverou.

Declarações que não foram suficientes para eliminar as preocupações do Secretário-geral do PCP, que, tendo em conta o nível das carências existentes no SNS, insistiu no alerta: «ou são tomadas medidas ou temos uma situação muito difícil, um problema que pode transformar-se numa crise de consequências imprevisíveis».



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