A campanha prossegue para além da entrega das assinaturas na AR
Mais de 10 mil assinaram petição pela proibição das armas nucleares

DESARMAMENTO O CPPC anunciou, no dia 20, que recolheu mais de 10 mil assinaturas para a petição que exige de Portugal a adesão ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares. A entrega das assinaturas é no dia 5.

O anúncio foi feito em plena rua, na baixa lisboeta, numa conferência de imprensa realizada ao mesmo tempo que prosseguia a recolha pública de assinaturas. Estiveram presentes Ilda Figueiredo e Amílcar Campos, respectivamente presidente e vice-presidente da direcção nacional do CPPC, e Gonçalo Costa, da Associação Projecto Ruído, que dinamiza junto de escolas e locais de concentração juvenil a campanha «Desarma a Bomba», com o mesmo objectivo de pôr fim às armas nucleares e promover o desarmamento.

Na declaração à imprensa, o CPPC recorda o lançamento da campanha a 26 de Setembro de 2017, simbolicamente a data em que a ONU assinala o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares, e revela como ela se desenvolveu nos últimos meses, através de recolhas públicas de assinaturas, sessões culturais e iniciativas de debate, nomeadamente em escolas. Os resultados alcançados pela petição comprovam que com o CPPC estão, na exigência de proibir as armas nucleares, «muitos milhares de homens, mulheres e jovens», afirma-se.

Entre os apoiantes da petição, e da campanha, estão reconhecidas personalidades das artes de palco, da música, das artes plásticas, do jornalismo e literatura, da ciência e investigação, do poder local, das Forças Armadas, da área católica e dos movimentos sociais. Muitas organizações e movimentos sociais associaram-se aos objectivos da campanha do CPPC.

Na petição, que será entregue na Assembleia da República no próximo dia 5, expressa-se a «exigência da eliminação das armas nucleares e da sua não proliferação», manifesta-se a satisfação pela adoção, no âmbito das Nações Unidas, do Tratado de Proibição de Armas Nucleares e reclama-se das autoridades portuguesas a sua «assinatura e ratificação».

Compromisso fundamental
Na conferência de imprensa, o CPPC recordou a aprovação do referido Tratado a 7 de Julho do ano passado por 122 países participantes numa conferência das Nações Unidas. Esta, acrescentou, foi realizada especificamente para negociar um «instrumento legalmente vinculativo» que proíba as armas nucleares e conduza à sua «eliminação total».

Segundo o Tratado, cada estado aderente compromete-se a «não desenvolver, testar, produzir, adquirir, possuir ou armazenar armas ou outros dispositivos explosivos nucleares e a não utilizar ou ameaçar utilizar este tipo de armamento». Fica ainda impedido de «permitir o estacionamento e instalação de qualquer dispositivo nuclear no seu território ou em qualquer local sob sua jurisdição ou controlo».

É este texto que está aberto à assinatura e ratificação desde 20 de Setembro último. Até ao momento, foi assinado por 59 estados, dos quais 10 depositaram os instrumentos de ratificação: Áustria, Cuba, Guiana, México, Palau, Palestina, Santa Sé, Tailândia, Venezuela e Vietname. Com esta campanha, que prossegue para lá da entrega das assinaturas, o CPPC pretende precisamente que Portugal adira ao Tratado. Em sua opinião, o País «deve estar do lado da paz, do desarmamento, da soberania e da cooperação», pois «não há “compromisso” na política externa do País maior e mais importante do que este».

 



 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: