As paralisações registaram forte adesão
Melhores salários motivam luta a partir das empresas

GREVES Paralisações em defesa de aumentos salariais foram cumpridas no final da semana passada na Atlânticoline, na Randstad e no grupo EVA. Nestas duas últimas, os trabalhadores participaram, dia 6, no protesto frente à AR.

No caso dos trabalhadores da transportadora de passageiros algarvia, a qual, por sua vez, está integrada na Barraqueiro, a greve de sexta-feira, 6, foi a terceira a ser realizada num curto espaço de tempo, tendo registado uma maior adesão do que as anteriores, informou a Federação dos Transportes e Comunicações - Fectrans.

Os trabalhadores pretendem que a administração do grupo EVA aceite negociar matérias pecuniárias, desde logo a remuneração base, e isso mesmo foi possível constatar junto da delegação de trabalhadores que se deslocou, faz amanhã uma semana, à Assembleia da República, integrando com reivindicações específicas a concentração contra as alterações à legislação laboral, promovido pela CGTP-IN (ver página 5).

Presentes naquele protesto frente ao Parlamento, estiveram, igualmente, trabalhadores da Randstad ao serviço das principais operadoras de telecomunicações, os quais cumpriram, no dia 5, uma paralisação em defesa de aumentos salariais e contra a precariedade. De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, as reivindicações centrais são um acréscimo na remuneração de pelo menos 2,5 por cento (em média os salários rondam os 580 euros) e uma subida do subsídio de refeição para os 7 euros.

Já na Atlânticoline, empresa pública responsável pelas ligações de passageiros e viaturas entre as ilhas dos Açores, a paralisação total ocorrida entre sexta-feira, 6, e domingo, 8, foi motivada pela postura intransigente da administração, que não quer rever o Acordo de Empresa a menos que os trabalhadores aceitem «atrelar» as respectivas progressões a uma nova avaliação de desempenho.

«O sindicato tem insistido que a avaliação existente, decorrente de obrigações nacionais e internacionais, designadamente no que respeita aos trabalhadores marítimos, é mais do que suficiente», sintetizou Frederico Pereira, do Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pescas, ouvido pela Lusa.


Acordo na Carris

Pese embora não tenham visto reconhecidos aumentos nos salários (que não são revistos há dez anos), e «mantendo intacta a necessidade de, de forma autónoma, exigir o [seu] aumento real», os trabalhadores da Carris decidiram assinar o novo Acordo de Empresa negociado com a administração, informou a Fectrans.

No AE ficam contemplados aumentos nos subsídios de refeição (para dez euros) e de falhas, a criação de uma nova parcela de três euros para transporte para os que iniciem o serviço entre a 01h00 e as 06h30 e não tenham deslocação assegurada pela empresa, bem como regalias como a «salvaguarda efectiva do direito ao dia de aniversário».



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