Debate sobre o estado da Nação
Esquecimentos convenientes

Foi um quadro com muito pouca ou nenhuma adesão à realidade aquele que as bancadas do PSD e do CDS traçaram sobre o estado da Nação. «Foi tal o rol de desgraças que trouxeram, que parecia que as intervenções tinham sido feitas em 2015, num retrato ao estado catastrófico em que o governo PSD/CDS deixou o País», anotou já na recta final do debate o deputado comunista António Filipe, que se deu conta ainda de «algumas falhas» no discurso de ambas. É que, ironizou, ambas se haviam «esquecido» de que «para além destas desgraças todas ainda havia salários cortados, pensões cortadas, uma carga fiscal muito maior sobre os rendimentos do trabalho, o IVA da restauração estava em 23% e... os despejos».

«Esqueceram-se dos despejos... A deputada Assunção Cristas, significativamente, esqueceu-se dos despejos», registou António Filipe, que não deixou passar ainda sem reparo o que designou por «uma certa bipolaridade no discurso das bancadas do PSD e do CDS», aludindo às contradições tantas vezes patenteadas por qualquer uma delas nestes dois anos e meio, como as profecias de cataclismos económicos que auguravam com a reposição de rendimentos, até à súbita descoberta convertida em paixão de que há recursos para fazer todos os investimentos quando ainda há pouco tempo o discurso era de que não havia dinheiro para nada.

 



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