Última Cimeira da NATO confirmou a ameaça à paz

PCP A reunião da NATO realizada a 11 e 12 de Julho consolidou a intensificação da ofensiva imperialista de que o bloco político-militar é o principal protagonista, sublinhou o Partido.

Em conferência de imprensa no segundo e último dia da Cimeira da Aliança Atlântica, ocorrida em Bruxelas, na Bélgica, João Ferreira denunciou que «pelos objectivos que estão colocados» aquela «representa um passo mais na acrescida ameaça à paz no mundo». Falando em nome do PCP, o membro do Comité Central e deputado no Parlamento Europeu consubstanciou esta apreciação detalhando que, «entre outros aspectos gravosos, a NATO impulsiona a sua capacidade belicista; incrementa significativamente as despesas militares e a corrida aos armamentos; promove a militarização da União Europeia; reforça a presença das suas tropas, incluindo dos Estados Unidos da América no Leste da Europa, dirigida às fronteiras da Federação Russa; persiste no seu incessante alargamento – particularmente nos Balcãs, quase 20 anos passados da sua guerra de agressão contra a Jugoslávia».

No seu conjunto, os 29 países-membro da NATO «já gastam mais em despesas militares do que a soma dos restantes 164 países». Contudo, foi decidido «aumentar em mais 266 mil milhões de dólares a sua política armamentista e intervencionista», facto que coloca a nu «a falsidade da alegada não existência de meios financeiros para assegurar direitos essenciais e dar resposta a prementes problemas que atingem os trabalhadores e os povos», acrescentou João Ferreira, antes de insistir que as conclusões «colocam em evidência que as grandes potências imperialistas da NATO persistem na sua ofensiva procurando contrariar a tendência do seu declínio relativo».

No que à UE diz respeito, o Partido nota a sua reafirmação, no supra citado encontro de cúpula, como «”pilar europeu” da NATO e a sua acelerada militarização, apontada como complementar a este bloco político-militar agressivo. Uma deriva militarista e securitária que integra, entre outros graves aspectos, a denominada «Cooperação Estruturada Permanente» de âmbito militar, e para a qual são canalizados muitos milhares de milhões de euros – à custa e em prejuízo da proclamada «coesão económica e social» –, de que é exemplo o proposto aumento em 22 vezes do chamado “Fundo Europeu de Defesa”».

Demarcar Portugal
«Ao contrário do que o Governo e o Presidente da República têm defendido, coloca-se a exigência de uma clara oposição à política de submissão às grandes potências da NATO e da UE, que não serve os interesses do povo português e coloca em causa elementos centrais da soberania e independência nacionais», prosseguiu João Ferreira, para quem «quando são colocadas tantas dificuldades para corresponder a necessidades que se colocam em funções sociais e nos serviços públicos (…), o compromisso do Governo de se aproximar dos dois por cento do PIB em despesa militar não tem justificação razoável».

«Portugal não se deve associar às políticas belicistas da NATO, da UE e das suas grandes potências», pelo que, defende o PCP, no respeito pela Constituição da República, o País deve «pugnar na sua política externa pelo desanuviamento das relações internacionais, pela resolução pacífica dos conflitos e a rejeição da ameaça e uso da força nas relações entre os Estados, pelo respeito da soberania e independência nacional, pela paz, pelo desarmamento universal, simultâneo e controlado, pela cooperação e amizade entre os povos».

 



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