• Albano Nunes

O imperialismo teme as inevitáveis explosões sociais e revolucionárias
Contradições inter-imperialistas

«O imperialismo, estádio supremo do capitalismo», a valiosíssima obra de Lénine que à entrada do século XX desenvolve as análises de Marx sobre o sistema capitalista, deve ser revisitada. Não porque nela se encontrem respostas prontas para a complexa e perigosa situação internacional que hoje vivemos, mas simplesmente para ajudar à sua compreensão.

Desde a passagem do capitalismo à fase monopolista que Lénine estudou, o mundo conheceu profundas mudanças. Mas a natureza exploradora, opressora, predadora e agressiva do capitalismo não só não mudou como se agravou com a gigantesca centralização e concentração do capital, e as contradições inter-imperialistas não só não se atenuaram como se acentuaram, tornando-se ainda mais agudas com o desaparecimento da URSS.

Vem isto a propósito da séria perturbação que a ofensiva reaccionária, nacionalista e aventureira da administração dos EUA, com o apoio da Wall Street, do complexo militar-industrial e das grandes multinacionais de base norte-americana, tem vindo a provocar nas relações entre as grandes potências capitalistas. Perturbação com consequências diversas, que no caso da NATO está afinal a conduzir a um brutal aumento do potencial militar desta aliança agressiva e a servir de alibi para o reforço da natureza supranacional imperialista da União Europeia, mas que envolve sérias contradições (na luta por mercados, matérias-primas, mão-de-obra barata, supremacia tecnológica, posições geo-estratégicas) que tiveram na recente Cimeira do G7 uma expressão pública espectacular e que com a guerra comercial desencadeada pela administração Trump, embora tendo a China como alvo principal, se tornam realmente graves.

Como previu Lénine, o monopólio e a internacionalização («globalização») do capital, não anula, antes agudiza as contradições inter-imperialistas. No binómio concertação-rivalidade que caracteriza as relações entre os grandes polos do imperialismo, o cimento de classe anticomunista que predominou na «guerra fria» enfraqueceu-se com as derrotas do socialismo, mas continua activíssimo contra os trabalhadores e contra os povos. Como mostram as recentes cimeiras da União Europeia e da NATO, as grandes potências capitalistas, cada uma à sua maneira, estão todas elas empenhadas numa deriva anti-democrática, securitária e militarista que banaliza o racismo e a extrema-direita, ergue muros, espalha bases militares e intervém militarmente por toda a parte onde possam estar em causa os seus interesses.

O imperialismo teme com razão as inevitáveis explosões sociais e revolucionárias a que a sua política inevitavelmente conduz. Entretanto, o agravamento da crise estrutural do capitalismo e a pretensão dos EUA de preservar a todo o custo uma hegemonia mundial que lhe escapa, está a tornar mais agudas e mais visíveis contradições que sempre existiram, que são inerentes à própria natureza do capitalismo e trazem no bojo terríveis conflitos. É preciso não esquecer as inenarráveis tragédias que as duas guerras mundiais do século XX significaram. É preciso reforçar a luta contra o imperialismo, contra a guerra, pela paz.

 



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