O Queijo da Serra da Estrela pode impulsionar o desenvolvimento
Valorizar o queijo da Serra e com ele toda uma região

PATRIMÓNIO O PCP realizou, em Gouveia, uma audição pública dedicada ao Queijo da Serra da Estrela, na qual participaram dirigentes e eleitos do Partido e especialistas nesta importante produção.

Na mesa da sessão estiveram João Frazão, da Comissão Política, o deputado do PCP no Parlamento Europeu Miguel Viegas e Maria João Lima, professora e investigadora da Escola Agrária de Viseu e responsável por vários projetos ligados a este produto. Marcaram ainda presença no debate diversos produtores de Queijo da Serra, que compareceram através do projecto QClasse, da referida escola superior.

Nas diversas intervenções proferidas ficou claro que muito embora o Queijo da Serra da Estrela seja um produto com grande tradição e reconhecimento, tem sofrido com as políticas de desertificação do interior promovidas por sucessivos governos e com as suas consequências mais extremas. Unânime foi a consideração da necessidade de incrementar a produção leiteira de ovelhas Bordaleira da Serra da Estrela ou Churra Mondegueira, a par com incentivos às estruturas associativas por forma a garantir a promoção e escoamento da produção.

Ao longo de duas horas de debate insistiu-se ainda na necessidade de adopção de medidas que permitam atrair produtores (nomeadamente jovens) para o fabrico de Queijo da Serra da Estrela. Entre elas destacam-se a criação de condições que garantam o escoamento do produto a preços compensadores, a valorização da produção nacional de modo a garantir a substituição de leite importado por leite da região a preços justos e uma Política Agrícola Comum que privilegie a pequena e média exploração.

Propostas de fundo
Depois de Miguel Viegas ter realçado que o queijo da Serra da Estrela pode ser o elemento agregador de uma estratégia de desenvolvimento regional, João Frazão sublinhou a necessidade de romper com as orientações da UE que se revelaram negativas para o tecido produtivo nacional. Adequar a legislação, e em particular os licenciamentos, à realidade local é outra matéria urgente.

Como reafirmou o dirigente do PCP, não bastam os incentivos às empresas para inverter a trajetória de declínio e desertificação do Interior. Segundo João Frazão, tal só sucederá com criação de emprego, investimento público, reposição e reforço dos serviços públicos e estruturas do Estado (designadamente do Ministério da Agricultura) e apoio à agricultura familiar.




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