O que falta afinal na hotelaria

«O problema não é a falta de mão-de-obra», mas sim «as condições cada vez mais miseráveis que os patrões impõem aos trabalhadores», retorquiu o Sindicato da Hotelaria e Similares do Algarve, dia 19, reagindo um comunicado da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), onde foi destacada a falta de mão-de-obra, em quantidade e qualidade, como um dos principais problemas das empresas.

Para o sindicato da Fesaht/CGTP-IN, a escassez de pessoal qualificado «é, antes de mais, consequência dos baixos salários e do brutal agravamento das condições de trabalho e de vida».

Enquanto os resultados das empresas batem recordes sucessivos, o trabalho é cada vez mais precário, os horários são cada vez mais longos e desregulados, os ritmos de trabalho tornam-se cada vez mais penosos e os direitos são cada vez mais postos em causa, protesta o sindicato, observando que a hotelaria se consolida como «um sector de passagem, onde se trabalha com a perspectiva de encontrar algo melhor noutro sector ou noutro país».

A AHETA colocou ênfase na «ancestral falta de mobilidade entre as zonas residenciais com maior concentração de trabalhadores e os respectivos locais de trabalho». O sindicato comenta que são «afirmações que pretendem esconder a responsabilidade de quem as faz, bem como a difícil realidade vivida por quem trabalha neste sector». Por outro lado, as queixas patronais são «apelos a um maior apoio público por parte dos governos, para canalizar mais uns milhões de euros do Orçamento do Estado para os bolsos dos patrões em nome do combate à precariedade e à sazonalidade.

A posição patronal é vista ainda como «apelo ao Governo para ajudar a recrutar mão-de-obra estrangeira mais fácil de explorar, nomeadamente refugiados».

Da realidade laboral na hotelaria, o sindicato destaca ainda «uma grande rotação de trabalhadores no mesmo posto de trabalho porque se recorre cada vez mais a trabalhadores temporários, aos estágios e à prestação de serviços, prejudicando, com isso, a qualidade do serviço, embora os preços cobrados aos clientes continuem a aumentar».

No sector, são atacados os direitos dos trabalhadores e a liberdade sindical. A fundamentar a acusação, o sindicato lembra tentativas de criminalizar a actividade sindical, «como aconteceu no Hotel Tivoli Carvoeiro e acontece no Pine Cliffs Resort, em Albufeira, e no Hotel Crowne Plaza Vilamoura».




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