- Edição Nº2331  -  2-8-2018

Reconhecer os madeirenses que lutaram pela liberdade e democracia

RESISTÊNCIA O PCP/Madeira propôs o reconhecimento público dos madeirenses presos pela PIDE em 1948, através de um memorial aos resistentes antifascistas e da inclusão dos seus nomes na toponímia do Funchal.

No ano de 1948, dezenas de madeirenses acusados de serem militantes do Partido Comunista Português sofreram perseguições políticas por parte da PIDE. Este processo culminou com a acusação de 47 pessoas, das quais 37 foram imediatamente presas no Funchal e as restantes posteriormente capturadas. Antenor Cruz, um dos principais dirigentes comunistas na Região, seria mesmo assassinado nas prisões da PIDE.

Num dos relatórios elaborados pela Brigada da PIDE presente na Madeira em 1948 reconhecia-se que a PIDE não tinha conseguido interrogar Antenor Cruz, ou seja, que não lhe tinha arrancado qualquer confissão, razão pela qual o matou. A 27 de Maio do mesmo ano, o nome do comunista madeirense engrossou a já longa lista de antifascistas assassinados.

Em 2018, 70 anos volvidos sobre a vaga repressiva de 1948, o PCP na Região Autónoma da Madeira emitiu um comunicado no qual considera ser «já tempo de fazer alguma justiça e de se prestar tributo às vítimas da perseguição a da repressão fascista na Madeira». Na Assembleia Legislativa Regional da Madeira foi já proposto, pelos comunistas, a edificação de memorial aos resistentes antifascistas madeirenses e, na Câmara Municipal do Funchal, a atribuição do nome dos madeirenses assassinados pela PIDE para a toponímia da cidade.

No comunicado do PCP Madeira pode ler-se que «porque estão em causa madeirenses cujas vidas foram profundamente afectadas por se terem situado do lado dos ideais da liberdade e da democracia, importa saudar aquelas vítimas do regime».

Além das propostas nos vários órgãos políticos da região, o PCP tem patente no Centro Cultural Anjos Teixeira, no Funchal, uma exposição intitulada «Há 70 anos a PIDE perseguia dezenas de madeirenses».