• Henrique Custódio

Tão parecido...

Thomas Erdbrink, correpondente do New York Times no Irão, foi entrevistado no programa GPS e deu nota das crescentes manifestações de protesto no país, acrescentando que «para haver uma revolução é necessário sairem à rua muitas pessoas», mas «o que ainda não vemos é a maior parte dos iranianos, a classe média iraniana, a juntar-se às manifestações» porque, sempre segundo ele, «acham que o resultado é ainda demasiado incerto para se juntarem».

Passemos por cima desta visão algo estreita dos processos revolucionários, evidenciada por Erdbrink (afinal de contas o homem é norte-americano, daqueles que não se consegue descolar da visão imperialista que reina nas terras do Tio Sam).

Mas o regime dos ayatollah's ainda está de pé, mesmo que a estratégia norte-americana pareça apostar na implosão do regime ou, pelos menos, no seu definhar.

O presidente Trump está no cerne da questão e  tem um fito, concentrado, primário e na linha do capitalismo ad terrorem do século XIX. É, de resto, a sua matriz.

O actual fito de Trump conta com o sionismo expansionista de Natanyahu em Israel e o fundamentalismo agressivo da Arábia Saudita (o grande ramo sunita do islamismo) para desalojarem o Irão (o grande ramo xiita do islamismo) da influência no Médio Oriente.

Trump avançou passos concretos neste mobilizar de aliados: ao sionismo de Israel deu a embaixada dos EUA em Jerusalém e à Arábia Saudita o fornecimento do mais moderno armamento, através de um contrato milionário entre o reino saudita e a indústria (privada) militar dos EUA. Quanto a Trump, lui même, tratou de fazer sair os EUA do tratado com o Irão sobre armas nucleares.

Agora, Trump determina uma segunda dose de sanções económicas para Setembro próximo contra o Irão, na expectativa de acelerar a rebelião popular interna.

Entretanto, a União Europeia dá tímidas instruções para ninguém sair do Irão, mas as multinacionais já estão a desertar. O capitalismo corre sempre atrás do lucro imediato. Está tudo tão parecido com as vésperas do deflagrar da II Guerra Mundial, onde as hesitações baixavam a cerviz à ascensão da besta nazi, resultando na hecatombe conhecida e parece que esquecida...

Mas os povos têm a palavra decisiva a dizer para evitar que isto aconteça.




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