Aumento do investimento público é decisivo para o povo e o País

GRÂNDOLA O Governo minoritário do PS continua a adiar as respostas que se impõe para a promoção do progresso económico e a coesão social e territorial , acusou Jerónimo de Sousa na sexta-feira, num jantar com militantes no Alentejo.

Presença assídua no jantar-comício que a Concelhia de Grândola organiza anualmente por ocasião da Feira de Agosto, o Secretário-geral do PCP interveio perante cerca de duas centenas de militantes comunistas. Isto já depois de Miguel Gonçalves, da Direcção Regional do Litoral Alentejano, e António Figueira Mendes, presidente do município grandolense, terem, à vez, saudado o esforço e dedicação necessários à realização da iniciativa e à manutenção do espaço do PCP no certame e divulgado em traços gerais as importantes obras e iniciativas que a Câmara Municipal de maioria CDU tem em marcha para melhorar as condições de quem ali vive e trabalha e desenvolver a «vila morena».

Ora, a centralidade de mais investimento público em diversos domínios estruturantes foi justamente uma das tónicas que marcou o discurso de Jerónimo de Sousa, lembrando iniciativas levadas a cabo recentemente pelo Partido na região – designadamente a Assembleia da Organização Regional do PCP e as Jornadas Parlamentares, a ligação à vida que nelas se reflectiu e bem assim a sua tradução num conjunto de propostas e iniciativas legislativas. Estas assumem hoje importância acrescida, quando subsistem «justificadas preocupações em relação ao arrastamento e adiamento de muitos problemas que tinham solução no imediato», mas cuja resolução esbarra «na manifesta falta de vontade política do Governo minoritário do PS, acorrentado nas suas opções e orientações de fundo às teses essenciais da política de direita».

O vínculo do PS aos interesses do capital monopolista e aos seus instrumentos e instituições – política de direita e UE e respectivas directrizes e pressupostos operativos (ditadura do défice, garrote da dívida e euro, referiu) –, materializa-se nos elementos-chave da governação do executivo liderado por António Costa: da política laboral à social, da fiscal e orçamental à estratégia macro-económica, aludiu o Secretário-geral do Partido. Contudo, no imediato e considerando os iniludíveis sinais de degradação e mesmo ruptura em serviços públicos e funções sociais do Estado que nesta época estival se têm sucedido, adquire relevo o baixíssimo nível de investimento que perdura, de resto no seguimento dos anos negros dos PEC e do guião destrutivo das troikas nacional e estrangeira, recordou.

Prioridades
Não há por isso volta a dar. Para ultrapassar os défices, alguns estratégicos como o agro-alimentar, que exemplificou, e combater desequilíbrios sociais e territoriais que se avolumam com a subalternização do nosso povo e do País aos constrangimentos impostos pela UE, é necessário mais e melhor investimento público. Precisamente aquele que «tem sido o parente pobre das políticas económicas e orçamentais do Governo minoritário do PS».

«Reforço de investimento para o fomento das infra-estruturas e equipamentos públicos imprescindíveis ao desenvolvimento económico nacional e regional», precisou Jerónimo de Sousa, pegando no caso da urgência de «garantir as necessárias condições de mobilidade, transportes e comunicações no litoral alentejano, com particular destaque para a ferrovia e a rodovia» que estão no centro das «justas reclamações das populações e do poder local que as representa».

Implementação do Plano Rodoviário Nacional no Alentejo através da requalificação, conclusão ou construção de troços em itinerários Principais e Complementares, bem como a reposição e efectiva modernização do serviço ferroviário regional no Sul, são prioridades «inadiáveis», insistiu o dirigente comunista, sem com isso deixar de desconstruir e criticar o aproveitamento político que o CDS pretende fazer passar como preocupação sobre o estado da ferrovia.

É que «estamos a assistir às mais descaradas operações de branqueamento» por parte daqueles «que têm grossas responsabilidades na situação a que chegou a ferrovia nacional e o material circulante», disse, lembrando que recentemente Assunção Cristas esteve no Alentejo a «verter lágrimas de crocodilo» pela transporte ferroviário, mas esqueceu-se de trazer na comitiva «o seu correligionário de partido Manuel Queiró», antigo presidente da CP, que perante «uma imprensa tão curiosa como a nossa, podia explicar o que lá esteve a fazer durante anos».

Ruptura
Tal como a urgência de mais e melhor investimento público que as situações vindas a lume nos últimos dias colocam em evidência, também os avanços registados na defesa, reposição e conquista de direitos, «pela acção directa e insistência do PCP» e em muitos dos casos «contra a vontade do Governo minoritário do PS» (de que deu, aliás, vários e bons exemplos), «não iludem a questão fundamental» de este mesmo Governo «continuar ligado a opções que são a causa do nosso atraso».

O Secretário-geral do PCP reiterou, por isso, que para melhorar as condições de vida do povo e desenvolver o País, é indispensável romper com a política de direita e os condicionamentos da UE, dar passos largos na valorização do trabalho e dos trabalhadores, da produção nacional e dos direitos e serviços públicos.

«E quando o Governo do PS diz que não há dinheiro», então «como é que justifica que as grandes fortunas tenham duplicado [em Portugal] nos últimos dez anos?. Tem de fazer opções» e deixar-se de tentar «a quadratura do círculo», concluiu.




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