- Edição Nº2336  -  6-9-2018

Cada Estado tem direito a fixar a hora

O PCP está contra a pretensão anunciada pela Comissão Europeia de pôr fim à mudança da hora nos países da União Europeia. Num comunicado de 31 de Agosto, emitido pelo seu Gabinete de Imprensa, o Partido considera o teor deste anúncio como expressão de «concepções federalistas inaceitáveis».

Para os comunistas, «cada Estado, a começar pelo nosso País, deve ter o poder soberano de fixar a hora de acordo com os seus interesses específicos, a sua geografia, ritmos e organização de vida individual e colectiva, que nos planos social, cultural e económico, melhor correspondam às necessidades de cada povo». As razões invocadas, relacionadas com os interesses «do mercado interno» e do «comércio transnacional» não colhem junto do PCP.

O anúncio da Comissão Europeia suporta-se numa «consulta pública» realizada através da Internet, na qual participaram 4,6 milhões de pessoas, 84 por cento das quais se mostraram favoráveis à medida. Trata-se, simultaneamente, de uma amostra exígua, pois nos países da UE estão registadas quase 500 milhões de pessoas e de uma votação sem qualquer fiabilidade ou validade jurídica.

A argumentação utilizada pelo presidente da Comissão Europeia, para quem «quando se consulta os cidadãos sobre algo, convém de seguida fazer aquilo que desejam», é, para o PCP, um «exercício de cinismo», conhecido que é o desrespeito da União Europeia pela «vontade expressa pelos povos, como historicamente se verificou, e verifica». Os referendos nacionais realizados na Dinamarca, Irlanda ou Grécia sobre questões relacionadas com o rumo do processo de integração capitalista da UE aí estão a confirmá-lo.