Frente democrática com Haddad para unir e tirar o Brasil da crise

ESCOLHA Nas presidenciais do Brasil, Fernando Haddad disputará a segunda volta, a 28 de Outubro, com o candidato da extrema-direita. O povo vai escolher entre a democracia e uma ditadura fascista.

A passagem de Fernando Haddad à segunda volta das eleições presidenciais no Brasil é um grande feito das forças democráticas, populares e progressistas. E é um revés da «fascista candidatura de Jair Bolsonaro» que, catapultada pelos meios de comunicação social, por grupos económicos e financeiros, por sectores de corporações do Estado, desencadeou uma operação, «inclusive com ações ilegais, a exemplo de um turbilhão de fake news, para ganhar na primeira volta».

A avaliação é do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), cuja direcção reuniu-se na segunda-feira, 8, para analisar a primeira volta das eleições, na véspera.

A candidatura de Haddad a presidente e Manuela d’Ávila a vice-presidente «com apoio do povo, de personalidades democráticas, porta-voz de um programa de desenvolvimento de defesa clara dos interesses nacionais, democráticos e dos direitos do povo», apoiada por Lula da Silva, «enfrentou pesado ataque, mas, demonstrando resiliência e liderança, conquistou a confiança de uma parcela grande do eleitorado, despertou a esperança do povo e alcançou a expressiva marca de quase 30% votos e está na segunda volta».

Começa nova eleição

Na opinião do PCdoB, começa agora uma nova eleição. A candidatura de Haddad é chamada «a formar uma frente democrática, a mais ampla possível, tendo como base a unidade da esquerda». Para os comunistas, a base para constituir a frente democrática deve ser uma plataforma que absorva proposições dos novos aliados e assente no programa da coligação O Povo Feliz de Novo. A plataforma «deve conter grandes bandeiras como restaurar a democracia e o Estado Democrático de Direito; pacificar e unir o país, livrando-o da ameaça ditatorial da candidatura fascista de Bolsonaro; retomar o desenvolvimento soberano; incentivar a produção e a geração de empregos; assegurar ao povo e à classe trabalhadora os direitos e as condições a uma vida digna; combater a corrupção; e garantir que o património nacional, como a riqueza do pré-sal, não será entregue ao capital estrangeiro, como irá fazer com certeza o falso patriota Bolsonaro».

A esquerda unida com o Partido dos Trabalhadores (PT), o PCdoB, o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com o engajamento de figuras como Ciro Gomes e Guilherme Boulos, entre outras, de governadores e parlamentares eleitos, de candidatos que disputam a segunda volta, será o alicerce da frente democrática. Essa frente, para o PCdoB, «deve abarcar, para além da esquerda, um elenco de lideranças de várias organizações e personalidades da sociedade brasileira do campo democrático, com perfis políticos e ideológicos diversos», que manifestem apoio à candidatura de Haddad.

Os comunistas expressam a convicção de que a vitória de Haddad é possível. Essa vitória «está na razão direta da amplitude social e política de apoios que consiga engajar, do grau que se efetive a mobilização do povo trabalhador e de outras camadas da sociedade, e da nitidez que consiga transmitir ao eleitorado do que representa cada candidatura, do que está em jogo».

Democracia ou ditadura

Para o PCdoB, a campanha de Haddad tem o desafio de deixar claro ao eleitorado que a segunda volta não está polarizada entre candidaturas extremistas.

«O único “extremismo” é o fascismo de Bolsonaro que, se eleito, será um Temer piorado. O país teria um governo “forte”, no sentido ditatorial, mas não com o objetivo de proporcionar segurança ao povo como propagandeiam. Seria exatamente o contrário. Um governo “forte”, declaradamente disposto a usar a violência e o arbítrio para arrancar do povo o pouco que lhe resta de direitos», alertam os comunistas.

Para o PCdoB, «a campanha das forças progressistas deve ter a capacidade de persuadir, sensibilizar, levar a uma tomada de posição de toda pessoa que tenha a democracia como um dos principais bens da nação brasileira». E alerta: «Objetivamente, pela polarização instaurada, Bolsonaro é o risco real de ditadura e Haddad é a restauração da democracia e do Estado Democrático de Direito. E como já destacou Fernando Haddad, “não há direitos sem democracia”. Na história, toda vez que a nação padeceu sob ditaturas ou regimes autoritários quem pagou o preço mais alto foi o povo com arrocho salarial e restrição de direitos. Os que hoje hesitam, precisam refletir: governo de tipo autoritário, de matriz fascista, começa atingindo a esquerda e a classe trabalhadora, mas logo a seguir persegue todo aquele(a) que não lhe for servil».

Êxitos na primeira volta

Na primeira volta das eleições, o PCdoB obteve um grande êxito com a reeleição do governador Flávio Dino, do Maranhão. Os comunistas destacam também a eleição de Luciana Santos, presidente do PCdoB, para vice-governadora de Pernambuco.

O partido elegeu nove deputados e deputadas federais, podendo ainda chegar a 10. Já para as assembleias legislativas, elegeu 21 deputados e deputadas estaduais.

Em 13 estados e no distrito federal a segunda volta será decisiva para a escolha dos governos estaduais. Além de reforçarem o empenho pela vitória dos seus aliados, os comunistas apoiarão candidaturas que não se aliem a Bolsonaro.

PCP: «Possibilidade de barrar
o caminho ao fascismo é real»

O Gabinete de Imprensa do PCP divulgou na segunda-feira, 8, uma nota sobre o resultado da primeira volta das eleições presidenciais no Brasil:

«Ao contrário da brutal campanha de manipulação da opinião pública que nos últimos dias apontava para uma vitória de Bolsonaro, este será obrigado a disputar em 28 de Outubro uma segunda volta com Fernando Haddad que, com 29,3%, ficou na segunda posição.

As ambições da reacção golpista que destituiu a legítima presidente do Brasil e encarcerou Lula da Silva para impedir a sua candidatura e chegou mesmo ao ponto de não o deixar votar, viram-se para já goradas. Mas o resultado alcançado pelo candidato da extrema-direita, só possível pelos gravíssimos problemas sociais que afectam a grande massa do povo trabalhador brasileiro e a profunda crise das instituições democráticas em que a politização da justiça e a corrupção desempenham papel particularmente importante, bem como pela colossal operação de manipulação promovida pelos principais órgãos de comunicação social e pelo uso das redes sociais, constitui um perigo que não pode ser subestimado e que exige a unidade de todas as forças democráticas brasileiras e a mobilização popular em torno de objectivos que vão decididamente ao encontro das suas aspirações.

A possibilidade de barrar o caminho ao fascismo é real. Hoje como sempre, o PCP estará ao lado dos comunistas e das forças democráticas e progressistas do Brasil na sua luta para derrotar o fascismo e retomar e aprofundar o caminho de progresso e soberania iniciado em 2002 com a primeira vitória presidencial de Lula da Silva».




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