• Carlos Lopes Pereira

Angola e China ampliam cooperação

Angola e China dão a maior importância à visita a Pequim efectuada esta semana pelo presidente João Lourenço, à frente de uma importante delegação estatal.

A manchete do Jornal de Angola destacava, na terça-feira, 9, que os dois países estão a alargar as «avenidas de cooperação», assinando novos acordos económicos. No mesmo dia, os enviados da agência Angop noticiavam que o governo de Luanda tinha formalizado, na capital chinesa, um pedido de financiamento de dois mil milhões de dólares para serem investidos em «projectos estruturantes».

Da delegação angolana fizeram parte os ministros dos Negócios Estrangeiros, das Finanças, das Obras Públicas, dos Transportes e da Energia, além de outros responsáveis.

Angola e a China mantêm uma intensa cooperação bilateral e, nos últimos 16 anos, a China tornou-se o principal financiador estrangeiro de infra-estruturas em Angola, que passou a ser o seu terceiro maior parceiro em África.

A China, o maior exportador e o terceiro importador de mercadorias a nível mundial, já fez financiamentos a Angola, desde 2002, de cerca de 23 mil milhões de dólares.

Esta foi a segunda visita em 2018 do presidente angolano à China, que já tinha participado em Pequim, em princípios de Setembro, no Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

João Lourenço teve agora a oportunidade de destacar que os resultados dessa cimeira foram altamente apreciados por Angola e pelos países africanos em geral. Segundo ele, há no continente a opinião de que o modelo de cooperação adoptado pela China corresponde às necessidades de desenvolvimento da África, com efeitos directos na melhoria das condições de vida das populações.

Também os dirigentes chineses atribuíram grande relevância à nova visita do presidente da República de Angola e expressaram a vontade de reforçar as relações entre os dois países e a cooperação mutuamente vantajosa em diferentes esferas.

O presidente Xi Jinping, ao receber a delegação angolana no Grande Palácio do Povo, advogou potenciar a confiança mútua e o apoio recíproco em assuntos relevantes para ambos os países. Também defendeu a autodeterminação de África na escolha do seu próprio caminho de desenvolvimento e assegurou que Pequim trabalhará com Luanda contra as intromissões estrangeiras em questões internas.

Num encontro posterior entre as duas partes, o primeiro-ministro Li Keqiang comprometeu-se a redobrar os esforços para elevar os laços económicos a um nível superior e a dinamizar os investimentos no país africano. Pediu ao presidente João Lourenço um ambiente seguro para os empresários chineses que apostam no mercado angolano.

De igual modo, o presidente da Assembleia Popular Nacional, Li Zhanshu, apelou à unificação das estratégias de desenvolvimento dos dois estados em benefício das suas economias e povos, assim como à ampliação das oportunidades de colaboração em todas as esferas possíveis.

Em cada um desses encontros, João Lourenço agradeceu o auxílio chinês aos esforços de desenvolvimento no seu país e confirmou que Angola está pronta para concretizar uma aliança estratégica com a China e explorar novos caminhos nas relações económicas. E propôs reactivar uma comissão mista angolana-chinesa encarregada de gerir de forma efectiva a cooperação bilateral.




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