• Carlos Gonçalves

Oportuno é lutar, sempre!

O Expresso é, de há muito, reconheça-se, o mais influente jornal da política de direita neste País. No rumo da elite mediática do grande capital na Europa e no Mundo, orienta-se ao milímetro pelos interesses de classe que serve, acautelando sensibilidades presentes e negócios futuros.

Isto não fica dito para criticar jornalistas, ou relevar o que era previsível – que, em semana de Jornadas Parlamentares do PCP, não haja espaço na edição em papel para referir o facto e as propostas adiantadas, sendo tudo resumido a duas notícias on line e uma historieta de que «os deputados (se) alimentam bem (para) a luta». Antes se visa referir um texto de Miguel Sousa Tavares (MST) de título «Nunca é oportuno», que dá corpo à posição do patrão Balsemão, no «momento difícil» do abandono por MST da metade televisiva do «projecto SIC-Expresso», em busca de uma «oportunidade» na TVI.

No texto, sobram as maldições contra «certa esquerda», a «Constituição de 1976» e suas «ingenuidades», que alimentam «desempregados que não querem trabalhar» e os «mesmos de sempre». E assim (vocifera MST) «nunca é oportuno» alterar o texto constitucional e as «ideias primárias» do 25 de Abril, que travam o projecto do grande capital e seus baronetes – privatização e abolição radical dos conteúdos do regime democrático, explicitamente, nos direitos económicos e sociais e, implicitamente, no plano político, com a ameaça do deslizar das «opiniões públicas e eleitorados em direcção à direita ou (d)as novas gerações (para) fora da política».

MST prossegue há muito um projecto anti-democrático, mas nunca acertou nas previsões, nem quando anunciou a morte do comunismo, nem quando esconde que oportuno é lutar e afirmar sempre os valores de Abril no futuro de Portugal.




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