«Confiança» e «determinação» foram palavras-chave no Encontro de Matosinhos
Encontro Nacional do PCP marca arranque de um ano exigente

AFIRMAÇÃO Mais de duas mil pessoas deram corpo, sábado, ao Encontro Nacional do PCP, realizado em Matosinhos. A análise da situação, as perspectivas de luta, as batalhas políticas e eleitorais e a afirmação da política patriótica e de esquerda foram temas em destaque.

O Encontro Nacional do PCP que no passado sábado encheu por completo o Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos não foi apenas sobre eleições. Pela tribuna, em dezenas de intervenções, passaram a análise da situação nacional e internacional, os avanços alcançados e os limites que persistem, as propostas sectoriais e a política alternativa patriótica e de esquerda, o alargamento da luta de massas e o reforço da organização e intervenção do Partido.

Como é evidente, num ano marcado por três importantes batalhas eleitorais – Parlamento Europeu a 26 de Maio, Assembleia Legislativa da Madeira a 22 de Setembro e Assembleia da República a 6 de Outubro –, o Encontro foi também uma mola impulsionadora da acção eleitoral do colectivo partidário comunista. Se, para o PCP, as eleições não são um fim em si mesmo, elas representam momentos ímpares para afirmar propostas e soluções, congregar energias e vontades e acumular forças para prosseguir em melhores condições a luta pelos seus objectivos, consagrados no próprio lema do Encontro: «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Soluções para um Portugal com futuro.»

A Resolução Política do Encontro, aprovada por unanimidade com alterações resultantes de propostas apresentadas ao longo do dia pelos participantes, resume o essencial do debate e das orientações dele resultantes (ver, na íntegra, nas páginas 12 e 13). A combatividade patente durante toda a jornada, com particular força e emoção durante os hinos, deu provas de um colectivo generoso e determinado.

Múltiplas batalhas
para um mesmo objectivo

Na abertura do Encontro, Paulo Raimundo, do Secretariado do Comité Central, realçou que as tarefas e batalhas que os comunistas têm pela frente em 2019 – «reforçar o Partido, dinamizar a luta, afirmar a CDU no quadro das batalhas eleitorais» – estão interligadas e têm de ser concretizadas de forma integrada. Todas concorrem para aquele que é o «desafio que está colocado aos trabalhadores, ao povo, aos democratas e patriotas», a construção de uma política alternativa «vinculada aos valores de Abril».

«Confiança e determinação» foram as expressões que o dirigente comunista utilizou para demonstrar de que forma os comunistas e os seus aliados do Partido Ecologista «Os Verdes» e da Associação Intervenção Democrática, para além dos muitos independentes que participam na CDU, irão participar nos três actos eleitorais. O objectivo, lembrou, é comum a todos eles: «o reforço da CDU em votos e em mandatos.» Paulo Raimundo apelou ainda a que se faça da campanha que «já aí está» uma «enorme acção política e de massas», assente na mobilização e esclarecimento dos trabalhadores e do povo.

Antes, o responsável na Comissão Política pela organização partidária no distrito do Porto, Jaime Toga, dera as boas-vindas aos mais de 2000 comunistas e amigos presentes naquela «terra de confiança e alegria, de trabalho e de luta» e valorizara a participação e envolvimento dos militantes e a «disponibilidade e colaboração» de diversas entidades locais nas múltiplas tarefas relacionadas com o Encontro. O resultado foi uma organização exemplar.

Um caminho comum

No Encontro, encerrado pelo Secretário-geral Jerónimo de Sousa (ver páginas 9 a 11), intervieram não só dirigentes, quadros e eleitos do PCP, mas também representantes das outras forças que integram a CDU. Pelo Partido Ecologista «Os Verdes», Mariana Silva, da Comissão Executiva, valorizou o caminho comum de «defesa dos interesses das mulheres e homens de Portugal e de um desenvolvimento sustentável», que é para continuar, como decidiu a recente 14.ª Convenção Nacional do PEV. Na CDU, garantiu, a «coerência e firmeza de princípios têm raízes, os valores falam mais alto, a seriedade é mais vincada, o apego ao bem comum está acima de tudo».

Da parte da Associação Intervenção Democrática (ID), o presidente João Geraldes considerou que a «melhor garantia que os portugueses têm para assegurar que continuamos a andar para a frente e não regressaremos aos velhos tempos das políticas anti-sociais e antidemocráticas do PSD e CDS-PP é dar mais força e mais representação ao PCP, ao PEV e à CDU no seu conjunto nas três eleições que irão realizar-se este ano».




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