Editorial

ESTÁ NAS NOSSAS MÃOS REFORÇAR A CDU

A situação política continua marcada por sinais contraditórios. Persiste a campanha de manipulação, difamação e mentira contra o PCP, no âmbito de uma operação mais vasta dirigida pelo grande capital contra o próprio regime democrático. É neste âmbito que se assiste à promoção de concepções reaccionárias ou mesmo de branqueamento do fascismo; se aproveita e se explora situações de insegurança, violência, corrupção, degradação de serviços com o propósito de criar climas de apatia, indiferença, descrença na política e na luta organizada, que conduzam à aceitação de medidas securitárias, restrição de liberdades e direitos, desmantelamento e privatização das funções sociais do Estado.

De facto, incomoda de forma particular o grande capital que o PCP, cujo papel foi determinante nos avanços até agora conseguidos na defesa, reposição e conquista de direitos, não tenha desistido de lutar por mais avanços, nomeadamente pela valorização geral dos salários, pelo aumento do salário mínimo nacional para 650 euros nos sectores público e privado, pela revogação das normas gravosas das leis laborais, pela defesa e valorização dos serviços públicos com o investimento público correspondente e, ao mesmo tempo, se bata por uma proposta de política alternativa patriótica e de esquerda, que responda aos problemas nacionais, eleve as condições de vida do povo e crie condições para o nosso desenvolvimento soberano.

Assiste-se igualmente à movimentação de diversas forças políticas: uns, como é o caso do PS, a afinarem estratégias para o ano eleitoral em curso, procurando associar a si as medidas positivas alcançadas e, ao mesmo tempo, tudo fazendo para demonstrar que é possível avançar para a resolução dos problemas nacionais mantendo a submissão à União Europeia, ao euro e ao grande capital. Foi neste contexto que o primeiro-ministro procedeu à remodelação do Governo, justificada com a indicação como candidatos ao Parlamento Europeu de actuais titulares de cargos governativos, procurando fazer passar a ideia de uma nova dinâmica na acção governativa, mas mantendo todas as opções políticas que têm norteado a sua acção. Outros, como é o caso do PSD e CDS, aproveitando naturais descontentamentos pelos muitos problemas criados por décadas de política de direita da sua responsabilidade e do PS, procuram obstaculizar ou impedir novos avanços, desestabilizar os serviços públicos (em particular o SNS) e, desta forma, facilitar a abertura de caminhos que, revertendo os avanços, ponham Portugal numa rota de retrocesso social.

É ainda neste quadro que se insere a disputa de espaço político que representa a anunciada moção de censura ao governo pelo CDS a poucos meses das eleições para a AR. Reconhecendo que há opções essenciais do Governo que merecem crítica e censura, aquelas a que nunca faltou o apoio do PSD e CDS, o PCP reafirma que o que merece censura são essas opções em que convergem PS, PSD e CDS, pelo que não se inserindo esta moção nesse objectivo, o PCP não poderia deixar de votar contra.

Ao mesmo tempo que condena estas manobras e repudia a campanha de manipulação, mentira e difamação contra si desenvolvida, o PCP prossegue e intensifica a sua acção, divulgando e afirmando as soluções que a CDU tem para o País.

Foi neste quadro que se desenvolveu um vasto conjunto de iniciativas e acções do PCP e da CDU esta semana com destaque para as jornadas parlamentares realizadas nos passados dias 18 e 19 de Fevereiro no distrito de Braga, a Assembleia da Organização Regional de Lisboa do PCP realizada no sábado passado, o prosseguimento da acção de reforço do Partido, e vai ser, em finais de Fevereiro e princípio de Março, um momento de grande afirmação da CDU com a distribuição de documentos e acções de contacto e esclarecimento por todo o País.

Desenvolve-se também a luta de massas de que foi expressão esta semana a elevada adesão à greve dos trabalhadores da Administração Pública, entre muitas outras lutas nas empresas locais de trabalho e sectores.

Importa continuar a estimular essa luta como factor decisivo para alcançar respostas para as justas reivindicações dos trabalhadores e afirmar como alternativa uma política centrada na sua valorização.

Merece particular atenção a mobilização para a manifestação nacional de mulheres convocada pelo MDM para o próximo dia 9 de Março bem como a manifestação da juventude trabalhadora a 28 de Março, as comemorações do 45.º aniversário do 25 de Abril e do 1.º de Maio como grande jornada de luta convergente promovida pela CGTP-IN.

Como sublinhou Jerónimo de Sousa na sua intervenção na Assembleia da Organização Regional de Lisboa, «está nas nossas mãos, na nossa acção colectiva e individual construir uma intensa corrente de mobilização para o voto na CDU e mostrar que está nas mãos dos trabalhadores e do povo português abrir a possibilidade de concretizar o Portugal a que temos direito, dando mais força à CDU para o País avançar a sério».



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