Aconteu
«Raiva» venceu quase tudo

«Raiva», do realizador Sérgio Tréfaut, venceu o Prémio Sophia instituído para o melhor filme pela Academia Portuguesa de Cinema. Mas a obra fez jus, ainda, aos prémios para a melhor actriz principal (Isabel Ruth), melhor actor principal (Hugo Bentes), melhor actor secundário (Adriano Luz), melhor fotografia (Acácio de Almeida) e melhor argumento adaptado (Tréfaut e Fátima Ribeiro), arrebatando assim quase todas as distinções.

Filmado no Alentejo, a preto e branco, a obra recria o romance «Seara de Vento», de Manuel da Fonseca. Recorde-se que a película estreou no Festival Internacional de Cinema de Moscovo, tendo arrecadado dois prémios (Júri Internacional e Imprensa Independente), e encerrou o IndieLisboa 2018, além de ter integrado a selecção oficial do Filmefest Munchen, do Festival Europeu de Cinema Europeu de Sevilha e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, sem esquecer o Festival Transfronteira Periferias (Portugal-Espanha), onde ganhou o prémio do público.

O filme estreou nas salas do País a 31 de Outubro último.


Morreu Graça Dias

Um cancro pancreático roubou a vida a Manuel da Graça Dias, arquitecto nascido em Lisboa. Tinha 66 anos. Com Egas José Vieira, alcançou o 1.º lugar no concurso para o Pavilhão Português da Expo’92, em Sevilha (1989). Um ano após, com o mesmo amigo, funda, em Lisboa, o Atelier Contemporâneo, e, um ano depois, vencem o concurso para a construção da nova sede da Ordem dos Arquitectos Portugueses, nos chamados Banhos de São Paulo, na capital. Obedecem também a projectos dele o Teatro Municipal de Almada e o Edifício Atlantic Plaza, na Costa da Caparica. É autor dos livros Ao Volante Pela Cidade, O Homem Que Gostava de Cidades e Manual das Cidades. «Falar sobre arquitectura com Graça Dias era exactamente isso, embarcar numa viagem sobre expressões estéticas, soluções inteligentes, desenhos inventivos. Como qualquer outro criador generoso, Graça Dias estava sempre à espera do sinal de inteligência do outro, quer fosse estudante, quer fosse cliente, quer fosse arquitecto», escreveu Ana Vaz Milheiro.


Dia da Poesia já foi

Embora tenha passado quase despercebido, o Dia Mundial da Poesia, criado na 30.ª Conferência Geral da UNESCO, foi comemorado no 21 deste mês. Para aquela organização, a data serve para assinalar a «diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação». Mesmo assim, diversos estabelecimentos ligados à causa literária assinalaram a efeméride.

Registe-se uma maratona de leitura, consagrada a Sophia de Mello Breyner, no CCB; uma leitura encenada, para assinalar o nascimento da mesma poetisa, na Sociedade Portuguesa de Autores; uma manifestação poética, promovida pela Livraria Lello, que encheu a rua de cartazes, maneauins e amantes de poesia; um serão poético, na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira, com José Fanha, António Chainho e São José Lapa; e momentos poéticos, proporcionados por Ana Celeste Ferreira e Aurora Gaia, na Associação Cultural Macaréu, que abriu oficialmente as portas nesse dia.


Jugoslávia bombardeada há 20 anos

No dia 24 de Março de 1999, há vinte anos, a aviação da NATO bombardeou a República Federal da Jugoslávia, principalmente a Sérvia. Os bárbaros ataques aéreos prolongaram-se até 10 de Junho daquele mesmo ano. A agressão, não sancionada pelo Conselho de Segurança da ONU nem por qualquer organização internacional de sustentação credível, gozou do apoio directo do governo dos Estados Unidos, então encabeçado pelo democrata Bill Clinton. Além de estruturas militares e civis, como estações de televisão, foram destruídas pontes, fábricas, linhas ferroviárias, túneis, redes de abastecimento de água e electricidade. Registaram-se milhares de mortos entre a população civil, nomeadamente, crianças mulheres e idosos.

O mundo progressista condenou veementemente a agressão.


Desviou 7,40 euros e foi despedida

Uma guarda-freio da Carris, que exercia funções no Elevador da Glória, foi despedida por ter vendido a turistas dois bilhetes obliterados no valor de 7,40 euros. A própria funcionária, na empresa há 12 anos, explicou o que a levou a cometer o ilícito. A meio da manhã de 31 de Março de 2017(!), vendeu dois bilhetes a turistas estrangeiros, mas não lhos entregou. Uma hora depois, vendeu-os realmente a outros dois passageiros. A ideia, ainda segundo a trabalhadora, era abater com aqueles 7,40 os 16 euros que faltavam em caixa, por ter dado troco a mais noutra operação. Um fiscal deu pela falha e participou à administração. E, agora, o interessante da história. Condenada em tribunal ao despedimento, viu a pena anulada pelo Tribunal da Relação, que considerou a punição desproporcional à infracção. No entanto, há dias, o Supremo Tribunal de Justiça, preocupadíssimo com esbulhos deste calibre, revalidou o despedimento, alegando a «perda de confiança» da Carris na funcionária. Que bem que funciona a Justiça!



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