11 de Janeiro de 1890 – Ultimato britânico

«Se eu fosse membro do governo, só depois da esquadra inglesa entrar de morrões acesos nas águas do Tejo, e intimar o bombardeamento de Lisboa, (...) é que cederia, porque cedia à força». Assim reagia o deputado Dias Ferreira, na sessão de 15 de Janeiro, à pronta capitulação do executivo e do rei D. Carlos ao ultimato do Reino Unido exigindo a retirada de Portugal dos territórios entre Angola e Moçambique, sob a ameaça de intervenção militar. A Inglaterra via na pretensão portuguesa de unir as fronteiras de Angola e Moçambique – o chamado «Mapa cor-de-rosa» – um entrave à sua própria pretensão de ligar o Cairo à África do Sul. A disputa do continente africano agudizara-se após a Conferência de Berlim, em 1884, em que as potências com interesses em África impuseram um ordenamento jurídico baseado na ocupação territorial efectiva, em detrimento do direito histórico, como Portugal defendia. A cedência ao ultimato gerou reacções nacionalistas e antibritânicas, de que é testemunho A Portuguesa, composta por Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça, e alimentou a contestação à Monarquia. Após a Revolução Republicana de 1910, a canção foi adoptada como Hino Nacional, substituindo-se «contra os bretões, marchar, marchar», por «contra os canhões...».



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