1 de Abril de 1959 – Inauguração do Vale dos Caídos

«É necessário que as pedras que se levantem tenham a grandeza dos monumentos antigos, desafiem o tempo e o esquecimento e constituam um lugar de meditação e repouso no qual as gerações futuras prestem homenagem aos que lhes legaram uma Espanha melhor». A frase consta do decreto que cria o mausoléu concebido para acolher os mortos «por Deus e pela Espanha», assinado pelo ditador Fancisco Franco um ano depois do fim da Guerra Civil espanhola. O complexo, megalómano, situa-se em San Lorenzo de Escorial, a 55 km de Madrid, integra uma basílica escavada na rocha e é dominado por uma cruz de 150 metros de altura. As obras demoraram cerca de 20 anos e foram no essencial realizadas por presos políticos (20 000, refere Rafael Torres no seu livro Los esclavos de Franco). Aí estão enterrados o líder do Falange (partido fascista espanhol), José Antonio Primo de Rivera, o próprio Franco e cerca de 34 000 combatentes anónimos, enterrados à revelia das famílias. Considerado um «insulto» à democracia e uma exaltação da ditadura e do nacional-catolicismo, o complexo continua a gerar polémica. A decisão de trasladar os restos de Franco e de Primero de Rivera do local e a conversão deste num centro de memória e tributo às vítimas do franquismo continua adiada.



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