• Filipe Diniz

O «ambientalista» G7

No G7, com o «ambientalista» Macron na vanguarda, Trump, Boris Johnson, Merkel, Trudeau, Conte exprimiram preocupação acerca da situação da Amazónia, «pulmão do mundo, etc.». E manifestaram o seu desejo de aí intervir, o que deveria suscitar alarme a qualquer ambientalista sério.

É certo que a questão da floresta amazónica não é apenas um problema brasileiro. A sua enorme extensão abrange outros países, e a sua existência tem importância e impacto planetários. E a devastação que vem sofrendo não tem origem apenas local: os interesses mineiros e do agronegócio estão associados não apenas às redes do capital monopolista transnacional mas também às actuais zonas de confronto e conflito entre grandes potências.

O desmatamento da Amazónia vem de trás. Reduziu durante duas décadas, mas acelerou brutalmente após a eleição de Bolsonaro, com o incentivo ao alargamento da mineração e da agropecuária, o ataque às regras de controlo ambiental, o corte radical nos recursos e meios das entidades fiscalizadoras.

A que vem a intervenção de Macron? Algumas das empresas que mais desmatam a floresta amazónica são francesas: o Crédit Agricole e o BNP Paribas; a Dreyfuss; as empresas Guillemette & Ciee Groupe Rougier (http://www.esquerdadiario.com.br/Qual-o-interesse-de-Macron-Merkel-e-o-G7-diante-do-fogo-bolsonarista-na-Amazonia). Não faltam exemplos de outros países. Não é certamente do G7 que virá qualquer socorro à floresta amazónica.

Por cá o PR já se manifestou «profundamente sensibilizado pela tragédia ambiental na Amazónia». Como quando foi à tomada de posse falou de «uma reunião entre irmãos» estará talvez bem colocado para transmitir a Bolsonaro que uma das condições para a Amazónia e o povo brasileiro terem futuro é correrem com ele.




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