Ankara lançou operação na Síria após retirada de tropas dos EUA
Síria defenderá soberania contra intervenção turca

AGRESSÃO Tropas da Síria estão a movimentar-se para as regiões do Noroeste do país para enfrentar a agressão militar da Turquia, iniciada no dia 9, depois da retirada das tropas norte-americanas.

Unidades militares sírias estão a deslocar-se para as províncias norte-orientais fronteiriças a fim de combater os invasores e ocupantes turcos, divulgou a agência SANA. Outros meios confirmaram que o exército sírio entrou nas cidades de Manjeb, no Nordeste da província de Alepo, e de Ain Arab (Kobani), no Norte de Raqa, depois das milícias armadas curdas abrirem todos os postos de controlo perante esse avanço.

O diário Al-Watan informou, na segunda-feira, 14, que foi alcançado um acordo, com mediação russa, que facilita ao exército sírio deslocar-se em zonas fronteiriças para proteger os civis dos agressores turcos. As milícias curdas representadas pelas chamadas Forças Democráticas da Síria (FDS) – até há pouco protegidas pelos EUA – anunciaram a sua oposição a qualquer projecto de divisão da Síria, condição que Damasco sempre exigiu para entabular qualquer diálogo. E confirmaram que chegaram a acordo com o governo para a colocação de tropas ao longo de toda a fronteira com a Turquia, para proteger a soberania da Síria e repelir a ofensiva turca.

Diferentes fontes indicaram que as tropas sírias movimentam-se para controlar a estratégica cidade de Taqba e a barragem de al-Baath, no rio Eufrates, para depois dirigir-se até Ain Isa, no Norte da província de Raqa. Taqba e Ain Isa estavam há sete anos sob controlo de grupos terroristas e, depois, das milícias curdas. Tropas governamentais atravessaram o Eufrates e preparam-se para ocupar os campos petrolíferos e de gás de Omar e Loniko, no Norte da província de Deir Ezzor. Militares sírios entraram também nas cidades de Qamishli e Hasakeh, onde foram acolhidos pela população com flores e bandeiras nacionais.

Desde finais de 2018 que o presidente da Turquia, Recep Erdogan, falava em planos para lançar uma operação militar unilateral no Norte da Síria contra as FDS, com 40 mil combatentes organizados, armados e financiados por Washington e aliados.

No dia 7 deste mês, os EUA começaram a retirar tropas da zona fronteiriça com a Turquia, pondo fim à «protecção» aos curdos. O Pentágono referiu a saída de cerca de um milhar de soldados norte-americanos. Dois dias depois, numa acção aparentemente coordenada entre Washington e Ankara, a Turquia começou a bombardear com artilharia e aviação zonas do território sírio habitadas por curdos. Horas depois, iniciou a operação terrestre «Fonte de Paz», com milhares de soldados, tanques e blindados.

A intervenção militar turca provocou já mortos e feridos, milhares de deslocados, a destruição de infra-estruturas económicas e civis, a ocupação de cidades e aldeias.

A Síria acusou a Turquia de cometer massacres de civis e crimes de guerra no seu território. A Rússia, que apoia política e militarmente Damasco, pediu a saída de todas as tropas que se encontram de forma ilegal na Síria.

A União Europeia condenou a intervenção da Turquia e a França anunciou um plano para proteger as suas unidades de operações especiais que se encontram no Noroeste da Síria, «coordenadas» com as milícias curdas e agora sem o apoio dos EUA.

A Turquia, face às críticas da União Europeia, ameaçou «abrir as fronteiras aos refugiados» e enviar os mais de três milhões e meio de migrantes no seu território para outros países da Europa.

 

PCP condena «novo passo»
na guerra de agressão contra a Síria

O PCP condena a agressão militar turca em curso contra a Síria, visando a ocupação directa de parte do seu território, o que constitui uma aberta violação do Direito Internacional e um novo e perigoso desenvolvimento na agressão a esse país.

Uma nota do Gabinete de Imprensa do PCP, do dia 14, salienta que a agressão contra a Síria foi desencadeada há oito anos pelos EUA e outros membros da NATO – incluindo a Turquia –, em conluio com o regime sionista de Israel e a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Catar, entre outros, e com o apoio do Governo português.

Num momento em que vários governos e instituições, de forma hipócrita, procuram dar uma imagem de distanciamento face a esta nova agressão militar contra a Síria, o PCP recorda a cumplicidade da União Europeia e a participação activa das suas grandes potências – particularmente da França e do Reino Unido – na sucessão de subversões, agressões e crimes na região do Médio Oriente, desde logo contra a Síria. Da mesma forma, o PCP recorda que os diversos grupos terroristas que se mantêm em território sírio estiveram, ou continuam a estar, às ordens das potências imperialistas agressoras que os criaram, treinaram, financiam, armam e protegem como parte da sua estratégia de desestabilização, ocupação e divisão da Síria.

O PCP alerta para o envolvimento da Administração Trump em complexas manobras de conspiração, de que a sua postura face a esta agressão é parte integrante, e para o perigo de esta se poder inserir numa operação mais vasta visando libertar milhares de terroristas do denominado «Daesh» e de outros grupos, reciclando-os para novas acções de agressão no Médio Oriente – seja na Síria, no Iraque, no Líbano, no Iémen ou no Irão – ou noutros pontos do mundo, nomeadamente na Ásia Central, como no Afeganistão, ou em África.

Solidariedade com a Síria

O PCP entende que só o respeito pelo Direito Internacional e, desde logo, pela soberania da República Árabe Síria porá fim a uma agressão de consequências imprevisíveis para o Médio Oriente e para o Mundo. Neste sentido, o PCP reafirma a exigência do fim da agressão contra a Síria; da retirada de todas as forças militares estrangeiras de ocupação, como as dos EUA que se mantêm ilegalmente em território da Síria; e da devolução de todos os territórios sírios à soberania da República Árabe Síria, incluindo os Montes Golã, ilegalmente ocupados por Israel.

O PCP reafirma a sua solidariedade com a Síria e o seu povo que tem resistido à enorme operação de agressão e ingerência, desencadeada ao longo destes últimos oito anos. A vitória do povo sírio na defesa da soberania, independência e integridade territorial do seu país é um factor da maior importância para derrotar os planos do imperialismo no Médio Oriente – incluindo os de liquidação da justa causa do povo palestiniano e os de agressão militar contra o Irão; para defender o Direito Internacional e os direitos dos povos da região; e para dar resposta aos complexos problemas que resultam da herança colonial e de décadas de domínio e ingerência do imperialismo, como é o caso da questão curda.

O PCP expressa a sua solidariedade aos milhões de deslocados e de refugiados que são vítimas da estratégia de agressão e divisão da Síria promovida pelo imperialismo e condena as manobras que desrespeitam os seus direitos, quer da União Europeia, quer do governo turco.

O PCP reclama do Governo português uma clara posição de distanciamento e rejeição da estratégia de desestabilização, agressão e divisão da Síria promovida pelo imperialismo, e de exigência do respeito pelo Direito Internacional e pela soberania, independência e integridade territorial da República Árabe Síria.




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