Défice zero à custa da degradação dos serviços públicos
Urgência Pediátrica do HGO volta a encerrar

SAÚDE A Urgência Pediátrica do Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, esteve encerrada, sábado e segunda-feira, por falta de médicos para cumprir a escala nocturna.

Os doentes foram reencaminhados para o Hospital de Santa Maria e Dona Estefânia, em Lisboa.

«O número de especialistas em Pediatria neste hospital é manifestamente insuficiente e o Governo não tem sabido, ou não quer, responder de forma eficiente a esta escassez crónica de profissionais, criando condições atractivas para a sua fixação, nomeadamente por via da Dedicação Exclusiva e melhores condições de trabalho e carreiras médicas», referiu, em comunicado, a Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal (CUSCS).

As críticas estendem-se à «obsessão com o défice» que tem «contribuído para o desinvestimento e subfinanciamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS)». «Não se pode apontar para um défice zero ou, como já se antecipa para este ano, um excedente orçamental, quando este é conseguido à custa da degradação dos serviços públicos socialmente mais importantes», referem os utentes.

Situação inadmissível
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) alertou, entretanto, que a carência de médicos pediatras «coloca em causa a qualidade dos cuidados prestados e a segurança dos profissionais». Naquele hospital de Almada existem apenas quatro médicos de serviço a assegurar os bancos de urgência à noite.

«A escala de serviço apresenta-se quase todos os dias incompleta, contando frequentemente apenas com um especialista em Pediatria para uma afluência diária de mais de 150 utentes», informa o SMZS. Esta composição da escala «viola claramente» o parecer do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos, que recomenda a presença de «em média, um elemento por cada 20 doentes atendidos em cada período de 12 horas» e «pelo menos metade da equipa deve ser constituída por especialistas em Pediatria».

Segundo o sindicato, a situação «arrasta-se há mais de um ano» e «tem vindo a gravar-se, sem que o Conselho de Administração (CA) do hospital, nem o Ministério da Saúde, tenham até à data encontrado uma solução».

«Os médicos do Serviço de Pediatria do HGO têm sido pressionados directamente pelo CA do hospital para fazerem urgências extra. Alguns chegam a fazer quatro urgências numa semana, o que conduz à exaustão e acarreta sérios prejuízos para a qualidade de vida destes profissionais e da assistência aos utentes», denuncia o SMZS.

Os casos repetem-se. Em Setembro, o CA do HGO «foi incapaz de assegurar a escala de Cirurgia no Serviço de Urgência Geral, imputando abusivamente a responsabilidade da observação dos doentes cirúrgicos aos médicos de Medicina Interna», critica ainda o sindicato.

Soluções urgentes
Na segunda-feira, 14, a Câmara Municipal do Seixal reiterou «soluções urgentes» para a falta de profissionais no SNS e reclamou o reforço do investimento em novos serviços de saúde. Neste sentido, a autarquia lembrou a importância da construção de um novo hospital no concelho do Seixal, advertindo o Governo para não «persistir no erro de encarar o SNS e a saúde dos portugueses como uma despesa, mas sim como um investimento fundamental na qualidade de vida das populações».

No HGO, que serve uma população de 500 mil pessoas, a Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos está fechada há três meses, não tendo reaberto até agora, apesar das diversas promessas.

Defender o SNS

No comunicado do Comité Central, de 8 de Outubro, o PCP, entre muitas outras matérias, inscreve a necessidade de um SNS «reforçado e capacitado» e «serviços públicos aptos a responder às necessidades».

A Célula dos Trabalhadores do HGO do Partido reclama, igualmente, a admissão do pessoal necessário para fazer face às reais necessidades das populações; a integração imediata de todos os trabalhadores com vínculos precários; o descongelamento da progressão das carreiras para todos os trabalhadores.

 



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