• João Pimenta Lopes

Vencer o medo, em Portugal e na Europa!

Saímos do primeiro fim-de-semana de Setembro com a confiança e força que derrotou uma poderosa campanha contra o Partido e a Festa do Avante!, assente no obscurantismo, na mentira e no medo paralisante! A nossa Festa foi uma grande e bela jornada de resistência, de entrega militante, de confiança no colectivo partidário, na razão que nos assiste e no caminho que pelo exemplo apontamos aos trabalhadores e ao povo português! Seguir em frente, com protecção, mas sem abdicar de direitos ou deixar de viver!

Uma das muitas artistas da Festa, Capicua, fez subir ao palco a canção Medo do Medo, que diz: «É muito lucrativo que o mundo tenha medo/ O medo (…) / Aceita a vigilância / (...) Eles têm medo de que não tenhamos medo.» Mas o que tem a Festa do Avante! e a letra de um dos tantos artistas que abraçaram esta jornada de luta numa coluna da secção Europa? O medo é uma arma do capital contra os povos. É um instrumento de chantagem, por vezes irracional, que tolda a razão.

E o combate contra o medo é um combate que sempre enfrentamos no Parlamento Europeu nas suas mais variadas frentes. O combate ao medo da precariedade e da incerteza laboral, afirmando a necessidade da mobilização organizada dos trabalhadores em luta pela exigência da elevação dos seus salários, vínculos e demais direitos laborais e sociais. O combate ao medo da ausência do direito à saúde, afirmando a necessidade de não abdicar e de investir nos serviços públicos de saúde. O combate ao medo do envelhecimento sem reforma, afirmando a necessidade de defender uma Segurança Social pública, universal e solidária.

Tal como cá, também lá, no Parlamento Europeu o PCP dá combate aos medos de pretensos perigos que a UE usa e promove para impor as suas políticas. Promovem o medo da extrema-direita oferecendo como «alternativa» o aprofundamento da UE e de políticas de direita predadoras dos nossos direitos e felicidade, que abrem campo a essa mesma extrema-direita. Acenam com o perigo do ataque aos «valores democráticos», mas promovem o anticomunismo, procurando reescrever a história e apagar o papel determinante que os comunistas tiveram na libertação da Europa, no combate ao fascismo, na conquista e elevação dos direitos sociais, laborais, políticos e culturais em numerosos países. Dizem combater o racismo e a xenofobia, mas com as suas políticas «externa» e de migrações, agudizam a exploração e desenvolvem linhas de recolonização, ingerência e guerra, obrigando milhões a fugir da guerra, da fome e da pobreza. Alentam pretensas ameaças externas e falam de «soberania europeia», mas omitem que o problema não está «la fora» mas sim nas políticas da UE de ataque à soberania nacional, da destruição de aparelhos produtivos, da privatização de sectores estratégicos e serviços públicos de países como Portugal, em benefício das grandes potências e suas transnacionais.

É no alimentar destes e outros medos que a UE procura ocultar aos povos a evidência de que o futuro da Europa, uma Europa dos trabalhadores e dos povos não passará jamais pela UE ou por qualquer outro processo de integração capitalista. Para construir essa outra Europa, é preciso vencer medos também entre as fileiras progressistas e democráticas, afirmar a imperiosa necessidade de romper com os constrangimentos que as políticas da UE impõem aos povos, alentar as lutas de classe, afirmar a defesa da soberania dos povos e dos Estados.

Os comunistas não têm medo. E é disso que eles têm medo!




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