«Já que o pagamos, possamos ter o banco na esfera pública»
PCP leva hoje ao Parlamento controlo público do Novo Banco

INICIATIVA «Se é o Estado quem paga as contas do Novo Banco (NB), deve ser o Estado a controlar os seus destinos», reafirma o PCP, que leva hoje à AR um projecto de resolução para a nacionalização daquela entidade financeira.

O objectivo dos comunistas é fazer aprovar no parlamento uma iniciativa que obrigue a conversão da totalidade da verba entregue até agora pelo erário público ao NB, em capital sócial, precisou Duarte Alves em declaração política, dia 10.

Perante o escândalo do BES que agora continua com a entidade financeira que o substituiu, o deputado do PCP lembrou, por isso, que «quanto mais cedo se reverter o NB para a esfera pública, mais cedo se acaba com a gestão danosa», a qual, chamou à atenção, «acaba sempre por ser paga pelos portugueses».

Para o PCP, «esta exigência é da maior importância, particularmente num contexto em que o País está confrontado com grandes necessidades financeiras», pelo que, insistiu, «não tomar esta opção do controlo público e continuar a injectar milhões no NB, é optar por continuar os desmandos e aventuras da actual administração.

Duarte Alves aproveitou a ocasião para recordar as responsabilidades de PSD e CDS na resolução do BES, já que estes «disseram aos portugueses que era possível resolver um banco que tinha passivos na sua holding internacional de 12 mil milhões de euros, com os 4.9 mil milhões de euros, que batiam certo com o que restava dos fundos da troika», e que «se ia dividir um suposto “banco bom” de um “banco mau”».

O eleito comunista não ilibou, contudo, o governo PS, cuja opção de «privatizar a custo zero o Novo Banco, entregando-o ao fundo abutre Lone Star, com uma garantia pública de 3,9 mil milhões de euros». Como resultado, prossegue o escândalo sem que nenhum dos supostos mecanismos de controlo funcione.

Justo e racional

«Quando o PCP falava, na altura, da hipótese da nacionalização, o Banco de Portugal estimou que essa opção iria custar 7 mil milhões de euros. A verdade é que o Estado já gastou mais do que isso, mas o banco continua a ser delapidado às custas do erário público», lembrou, por outro lado, Duarte Alves, que sublinhando que «apesar de a auditoria não ser para nós o que legitima ou deixa de legitimar as opções políticas relativas ao Novo Banco, a verdade é que ficaram patentes situações inaceitáveis», sendo fácil de concluir que o interesse da Lone Star é «usar toda a garantia pública (e se possível mais ainda!), limpar o banco, despedir trabalhadores e fechar balcões, para entregar o negócio a um grande grupo bancário estrangeiro – que vai ficar com os bons clientes e com os bons ativos, porque os maus ativos seremos nós a suportar».

«O que se passou no BES desde a sua reprivatização e, desde 2014, com o Novo Banco, é um retrato de um grupo monopolista, das suas redes na alta finança e nos governos da política de direita ao seu serviço», salientou também o deputado comunista, para quem «pode haver mais de mil auditorias, discussões e inquéritos parlamentares, mas para o PCP não há qualquer dúvida de quem são os responsáveis políticos pelo que aconteceu no BES e está a acontecer no Novo Banco, nem sobre a absoluta necessidade de arrepiar caminho e garantir que, já que o pagamos, possamos ter o banco na esfera pública e ao serviço do País».



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