Sinn Féin sobe de 4 para 14 deputados
Irlandeses votam pela ruptura
Rejeitar a dívida

As eleições legislativas de 25 de Fevereiro na Irlanda representaram uma tremenda derrota para os partidos governantes Fianna Fail e Verdes, permitindo uma espectacular subida do Sinn Féin, bem como dos trabalhistas e de outros pequenos partidos.

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Os conservadores do Fine Gael (FG) foram os mais votados com 35,51 por cento e 75 deputados, num total de 165, ficando longe da maioria absoluta. Seguiram-se os trabalhistas que obtiveram o seu melhor resultado de sempre com 19,65 por cento dos votos e 37 lugares.

Reduzido a terceira força, o Fianna Fáil, partido que estava no poder desde 1997 e governou mais de 60 dos quase 80 anos de existência do Estado, sofreu uma autêntica hecatombe eleitoral. Perdeu quase um quarto dos deputados, passando de 77 para 20, e mais de metade dos votos, descendo dos 41,5 por cento para 17,64 por cento.

Pior só mesmo o seu parceiro de governo, que desapareceu do parlamento não conseguindo reeleger nenhum dos seis deputados conquistados em 2007.

 

A vitória do Sinn Féin

 

Em sentido ascendente, o Sinn Féin afirmou-se como a força mais votada em quatro condados e registou uma assinalável progressão eleitoral em todo o território. Ultrapassando a barreira dos dez por cento (10, 05%), obteve um total de 220 mil sufrágios e elegeu 14 deputados, contra os 143 mil votos obtidos em 2007 (6,9%) e quatro deputados então eleitos.

No campo da esquerda irrompeu ainda uma nova força, a Aliança da Esquerda Unida (United Left Alliance, ULA), que alcançou 2,6 por cento dos votos e elegeu cinco deputados.

Entretanto, os resultados do Sinn Féin ganham significado face à posição única, entre os principais partidos, assumida durante a campanha eleitoral.

Como seria de esperar, as diferentes candidaturas centraram o discurso na grave situação económica que abala o país. Porém, o líder do Sinn Féin foi o único a comprometer-se com uma solução radical. A dois dias das eleições, Gerry Adams declarou perante as câmaras de televisão que, se o seu partido chegasse a formar governo, enfrentaria a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional e recusaria as condições impostas ao resgate financeiro do país, admitindo suspender o pagamento da dívida.

Adams, que deixou os lugares no parlamento britânico em Westminster e em Stormont, no Ulster, para encabeçar a lista na circunscrição de Louth, insistiu que a economia irlandesa caminha para o precipício e que é necessário «decisões duras», rompendo com a atitude subserviente do governo cessante que é partilhada pela maioria dos partidos.

«Em vez de continuarmos mergulhados numa crise que acabará connosco, temos de enfrentar a UE e o FMI», disse o presidente do Sinn Féin, considerando que a rejeição das leoninas condições do empréstimo de 85 mil milhões de euros é a melhor opção para o futuro da Irlanda.

Colocada nestes termos, a questão ganhou uma tal relevância que o líder do Fine Gael, e próximo primeiro-ministro, Enda Kenny, foi obrigado a admitir, dia 26, que «o empréstimo financeiro é mau para a Irlanda e mau para a UE» (El País, 27.02).

Reflectindo sobre o veredicto popular, que reforçou significativamente o partido mais à esquerda no parlamento, Enda Kenny anunciou que vai iniciar negociações com os parceiros comunitários para renegociar o acordo. «A Europa tem de escutar a mensagem do nosso eleitorado».



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