Responsabilidades pelo quadro actual
PS absolve as causas

O PCP criticou o PS por condenar as consequências da actual política da coligação PSD/CDS-PP mas simultaneamente «absolver não só as suas causas como o facto de ter tomado parte activa nas mesmas».

Interpelando a deputada do PS Maria de Belém, que verberara em recente declaração política a acção governativa, o deputado comunista António Filipe considerou que o PS veio criticar o Governo por dar continuidade a uma política pela qual ele próprio, afinal, tem inteira responsabilidade.

«Há que perguntar se o PS nunca ouviu falar da troika, se não conhece o memorando que subscreveu com a troika e as consequências dessas verdadeira agressão contra o povo, os trabalhadores, os reformados, as camadas sociais mais desfavorecidas do nosso País» referiu o deputado do PCP, frisando que o PS não pode ignorar as consequências sociais daquilo que subscreveu enquanto governo no acordo com a troika.

A afirmação da deputada do PS segundo a qual, apesar da inevitabilidade do acordo, tem que haver uma agenda para o crescimento económico, senão o País não ultrapassará a crise, foi também desvalorizada por António Filipe, que observou ser essa uma asserção de tal modo consensual que até o PSD e o CDS afirmam o mesmo.

Em sua opinião, a questão é outra. É que se «aceitam como boas e inevitáveis as medidas que decorrem do acordo com a troika» - que os portugueses vejam os salários cortados, vejam diminuir o seu poder de compra, tenham de trabalhar mais vinte dias gratuitamente, que os impostos aumentem e que seja reduzido o investimento –, então, concluiu o deputado do PCP, «é impossível pensar que com estas políticas pode haver uma agenda para o crescimento».

E quanto ao argumento do PS de que o Governo está a ir para além da troika, perguntou por que razão aquele partido não votou no OE para 2012 contra as medidas que diz que vão para além do acordo com a troika.

«Dirão que foi uma abstenção violenta. Direi que violento vai ser o ano de 2012, infelizmente para a grande maioria dos portugueses», rematou António Filipe.

 



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