Breves
Afeganistão

A versão oficial do massacre de Março, na província de Kandahar, no qual morreram 15 pessoas, entre as quais nove crianças, está a ser colocada em causa após a auscultação da mulher de uma das vítimas, segundo a qual o oficial condecorado Robert Bales não estava sozinho no momento dos acontecimentos. «Pelo menos outro homem estava à porta de casa quando ele disparou sobre o meu marido», terá declarado a testemunha à investigadora do exército Leona Mansapit.


Jordânia

Milhares de populares protestaram contra o aumento dos combustíveis e exigiram reformas económicas e políticas no país. As manifestações, particularmente expressivas na capital, Amã, repudiaram com especial contundência as subidas de até 53 por cento no preço da gasolina, gasóleo, gás de botija e querosene.

O governo argumenta com a necessidade de cortar na despesa pública, mas as organizações promotoras das marchas acusam as autoridades de promoverem um desastre social.

As marchas realizadas uma semana antes no país terminaram em violência, isto depois da polícia ter morto uma pessoa e ferido outras 71. A repressão resultou ainda na detenção de 158 indivíduos. De acordo com a AFP, 101 terão sido acusados de incitamento à revolta, distúrbios e participação em concentração ilegal.


Bahrein

23 médicos foram condenados a pena de prisão por terem assistido manifestantes feridos na sequência de acções repressivas das autoridades contra protestos populares. Os clínicos estão entre os 95 trabalhadores da saúde que a «Justiça» acusa de terem colaborado com os contestatários, isto apesar daqueles defenderem que apenas cumpriram o seu dever profissional.

Antes, já o Supremo Tribunal do território que aloja uma poderosa frota naval dos EUA, havia sentenciado nove médicos, sob as mesmas acusações, a penas entre um mês e cinco anos de prisão.

O regime liderado por Al Khalifa só sobreviveu aos protestos porque a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos enviaram tropas para o país e contiveram a revolta desencadeada no início de 2011.


Crianças

19 mil morrem diariamente por causas evitáveis, confirmou a UNICEF no dia em que se assinala 23 anos da aprovação da Convenção sobre os Direitos da Criança, a 20 de Novembro.

Segundo a agência das Nações Unidas, cerca de um terço do total das vítimas deve-se à desnutrição (6400 crianças) crónica ou severa, flagelo que, estima-se, atinge cerca de 200 milhões de menores de cinco anos em todo o mundo.

As falta de condições sanitárias – ausência de acesso a água potável, estado de insalubridade das habitações, ingestão de alimentos impróprios ou contaminados, etc –, está na base da restante cifra de mortalidade.


Japão

Elevados níveis de césio foram detectados em peixes capturados na região de Fukushima, reconheceu o Ministério do Ambiente nipónico, que revelou, ainda, que uma das amostras recolhidas apresentava níveis de radiação 100 vezes superiores aos permitidos.


Panamá

A greve de dois mil trabalhadores no Canal, iniciada quinta-feira, só será levantada quando a empresa responsável pela obra de ampliação melhorar as condições de trabalho, garantiram os operários e o Sindicato da Construção, que decretou a paralisação depois de mais um trabalhador ter morrido na empreitada.


Chile

Sindicatos do sector público exigem aumentos salariais de nove por cento e a integração dos contratados a prazo, e iniciaram, com esse objectivo, uma campanha reivindicativa nacional. Na quarta e quinta-feira da semana passada, trabalhadores da justiça e da saúde protestaram em Santiago. Estes últimos acabaram por ser dispersos pela polícia, e o seu principal dirigente, Miguel Antileo, foi preso.

Detidos e em greve de fome contra a sua dupla condenação ao abrigo da lei antiterrorista e com recurso a testemunhos secretos, continuam dois presos mapuches.

A 25 de Outubro, quatro mapuches interromperam uma greve de fome de 60 dias depois do Supremo Tribunal lhes ter dado razão.