No Bangladesh e Malásia
Trabalhadores revoltados

Milhares de operários têxteis do Bangladesh manifestaram-se segunda-feira, nos arredores de Daca, contra as inumanas condições de trabalho a que estão sujeitos, as quais terão estado na origem da morte de pelo menos 120 trabalhadores num incêndio numa fábrica na cidade de Savar, na madrugada de domingo.

As vítimas estariam cativas nos andares superiores do edifício quando deflagraram as chamas. O encerramento dos trabalhadores dentro das instalações é uma prática comum no país, defendida, aliás, pelo patronato, que argumenta com a necessidade de evitar roubos.

Simultâneo ao protesto, um outro fogo consumia uma segunda unidade situada na mesma região, avolumando a revolta popular. Posteriormente soube-se que este incidente não terá provocado vítimas.

Segundo a Lusa e a Russia Today, a mobilização dos operários obrigou à interrupção da produção na esmagadora maioria das fábricas têxteis até Ashulia, a Norte da capital.

Cerca de quatro milhões de pessoas trabalham no mais importante sector do país, confeccionando fundamentalmente para grandes multinacionais, que não se ralam com as miseráveis condições de trabalho, descritas amiúde como semelhantes à escravatura.

Já na Malásia, outro fornecedor de mão-de-obra barata no quadro da divisão internacional do trabalho, o protesto de cerca de 10 mil pessoas na capital, Kuala Lumpur, realizado também na segunda-feira, foi contra a abertura de uma fábrica de transformação de metais raros.

O povo da cidade de Kuantan, que marchou 300 quilómetros durante 13 dias, exige que o governo impeça a laboração da australiana Lynas, justificando a pretensão com a falta de garantias relativas à preservação do meio ambiente.

A transformação de metais raros é um negócio altamente lucrativo, sobretudo devido à crescente produção de equipamentos ligados às tecnologias de informação e comunicação.



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