Viktoria Georgiievska
é membro do Bureau Político e responsável
das relações internacionais do PC da Ucrânia
Comunistas ucranianos intervêm na semi-legalidade

Alvo de um processo de ilegalização e constrangido por sérios obstáculos à sua intervenção, o Partido Comunista da Ucrânia (PCU) não desiste, explicou ao Avante! Viktoria Georgiievska, que alertou ainda para o perigo de a Bielorrússia se transformar numa nova Ucrânia.


Em que fase se encontra a tentativa de ilegalização do PCU?

A situação não mudou muito desde 2015, quando o tribunal de primeira instância baniu o nosso partido. Nós não nos amedrontámos e passámos a intervir na semi-legalidade.

Enquanto decorre a apreciação no tribunal de apelação e não há uma decisão final, vale a chamada lei de descomunização, que nos impede de participar em eleições, divulgar a ideologia comunista e a obra de Marx, Engels e Lénine, de defender o passado soviético e ostentar livremente os nossos símbolos. Quem exibir a foice e o martelo é preso!

Apesar de tudo, usamos a bandeira vermelha, que nos identifica, a nossa organização funciona e o nosso secretário-geral pode dar entrevistas ou comparecer a debates.

Com a recente vitória de Volodymyr Zelenski nas presidenciais ucranianas, mudou alguma coisa?

Nada! Parece que o regime se suavizou, que é mais amigável. Na realidade, para além da propaganda, tudo permanece igual. Se o nosso partido ou o movimento popular elevam a contestação, os serviços secretos e a polícia recrudescem imediatamente a repressão e as perseguições.

Neste contexto, quais são os principais objectivos e prioridades do PCU?

São a manutenção da nossa organização com capacidade para agir. Naturalmente que a crise sanitária também nos afectou, veio colocar ainda mais barreiras à intervenção política e social, mas procuramos contrariar a resignação e ultrapassar todos os obstáculos.

A situação na Bielorrússia assemelha-se muito ao que sucedeu na Ucrânia entre 2013 e 2014, culminando com um golpe de Estado. Como observam os acontecimentos naquele país?

Neste momento, a situação na Bielorrússia parece-nos mais semelhante ao que aconteceu na Ucrânia entre 2004 e 2005, aquando das chamadas revoluções coloridas. Contudo, alertamos que o governo bielorrusso tem deser muito maleável, paciente e cuidadoso, pois tudo está preparado para que rapidamente se passe de uma situação com protestos relativamente pacíficos para um assalto violento ao poder, como sucedeu no nosso país depois em 2013/14.

O nosso secretário-geral, Petro Symonenko, estava em Minsk [capital da Bielorrússia] quando foi desencadeada a «revolta». Apoiamos o presidente eleito Aleksandr Lukashenko porque consideramos que o caminho que se projecta para a Bielorrússia é o da destruição do país, que foi de resto o destino da Ucrânia.

A situação é dura, é mesmo muito difícil. A Lituânia e a Polónia são animadores da contestação, pontas-de-lança do imperialismo, que não está mais na disposição de permitir que prossiga na Bielorrússia um líder que tem mantido o país longe do seu domínio.

Já veio à Festa do Avante! noutras edições. Como a está a viver nestas novas condições?

É diferente mas simultaneamente inspiradora. É de crucial importância que o PCP não tenha cedido ao medo e esteja a dar o exemplo. Um recuo nesta conjuntura teria consequências graves para o exercício das liberdades.




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