De 1941 a 1944 – A Carlinga e a Milícia
Em França, durante a II Guerra Mundial, duas milícias francesas pró-nazis disputavam com a Gestapo o combate aos membros da Resistência, que o governo de Vichy sob Pétain apelava de “terroristas”: a Carlinga e a Milícia. A primeira, instalada no tristemente célebre n.º 93 da rua Lauriston, em Paris, era a ‘Gestapo francesa’. Fundada por Pierre Bonny, um antigo polícia corrupto, e pelo criminoso Henri Lafont, reunia bandidos, gângsteres e criminosos profissionais, que segundo o historiador David Alliot “eram capazes de roubar, pilhar, matar, à vista de todos, em Paris, mas também nas províncias, lançar operações em larga escala, formar um exército, caçar combatentes da resistência, roubar judeus, com o apoio activo dos alemães, sem temer qualquer represália”. Munidos com identidades alemãs, eram intocáveis. Após a libertação, em 1944, muitos foram capturados, julgados e condenados à morte, mas muitos outros escaparam incólumes. A Milícia, grupo policial fascista subordinado ao primeiro-ministro Pierre Laval, era ainda mais temida do que a Gestapo. Podia prender, deportar, torturar e assassinar qualquer suspeito de pertencer à Resistência. Paul Touvier, um dos seus membros mais destacados, só foi levado à Justiça em 1989. Foi o primeiro francês condenado por crimes contra a humanidade.




