«Somos todos importantes» afirma-se na Novadis

A semana de São João, entre os dias 18 e 25 de Junho, ficou marcada pela greve dos trabalhadores na plataforma de Vila Nova de Gaia da Novadis. Os trabalhadores da empresa pertencente à SCC-Heineken continuam a lutar pela igualdade dentro do grupo da Central de Cervejas.

«saíram para o mercado menos de metade dos camiões»


Quando há dois anos, o grupo SCC-Heineken, dono da Novadis e outras marcas, decidiu excluir os trabalhadores desta empresa do acordo colectivo de trabalho, iniciou-se um período de intensificação da luta destes trabalhadores que, mesmo ainda não tendo alcançado as suas principais reivindicações, mantém a unidade perante a intransigência do patronato.

Para além desta incompreensível descriminação através da exclusão destes trabalhadores do CCT, a Sociedade Central de Cervejas recusa-se ainda a discutir o caderno reivindicativo construído democraticamente pelos trabalhadores e apresentado pelo Sintab/CGTP-IN, onde se aponta «o fim da discriminação nos aumentos salariais»; o «aumento mínimo de 150 euros»; «25 dias de férias» e as «35 horas semanais». A administração alega ter já negociado aumentos salariais com a UGT, acordo que os trabalhadores afirmam não dar resposta ao aumento do custo de vida.

Cá vão continuar
Confrontados com esta situação, os trabalhadores reuniriam, no passado dia 2 de Junho, na plataforma de Canelas – Vila Nova de Gaia, onde decidiram avançar com uma greve entre os dias 18 e 25 de Junho de expressão nacional, com a particularidade de, no que diz respeito a esta plataforma no norte do País, coincidir com a semana de São João.

No quadro desta greve, que paralisou partes significativas da distribuição, foi organizado um piquete de greve no primeiro dia, bem como uma concentração em frente às instalações, com os trabalhadores a entoarem palavras de ordem como «motoristas e ajudantes, somos todos importantes!». Houve ainda espaço para a partilha de experiências entre os presentes e intervenções de vários dirigentes sindicais.

O sindicato apontou, durante o piquete, que a greve «teve adesão total por parte dos trabalhadores sindicalizados» e que «saíram para o mercado menos de metade dos camiões»

Unidade e Firmeza
Intervindo na concentração, o trabalhador da Novadis e dirigente sindical João Carvalho lembrou aos seus colegas que tudo o que «a empresa foi dando nos últimos anos», não foi fruto da sua vontade mas sim da sua luta colectiva. O dirigente sindical recordou o aumento de duzentos euros no salário dos motoristas conquistado há dois anos, como uma conquista que deve deixar «orgulho e satisfação», sem nunca esquecer a importância de «continuar a lutar». Mencionou ainda que um dos principais problemas actuais se prende com a «diferenciação de ordenados» entre «motoristas e ajudantes.»

Filipe Pereira, coordenador da União de Sindicatos do Porto, reforçou que «todas as lutas têm uma extrema importância», valorizando o «sinal para fora» que estes trabalhadores deram, através da sua «unidade e determinação».

Esteve ainda presente, transmitindo solidariedade a esta luta, o candidato da CDU à Câmara de Vila Nova de Gaia, André Araújo, que reforçou que apesar de «vivermos tempos em que os patrões estão com as costas quentes», «os trabalhadores não vão permitir que eles decidam, a seu bel-prazer, o futuro das nossas vidas.».

 



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