- Nº 2694 (2025/07/17)O Secretário-Geral da CGTP-IN esteve com os trabalhadores da Nobre Alimentação, em Rio Maior, no dia da sua 22.ª greve, desde2023, por reivindicações justas que a administração recusa negociar.
Lusa
Tiago Oliveira esteve, na manhã de sexta-feira, dia 11, com algumas dezenas de trabalhadores, reunidos em piquete no exterior da fábrica. Numa breve saudação, reiterou a necessidade de, no contexto actual, os trabalhadores se unirem, organizarem e lutarem pelos seus direitos e interesses.
O dirigente destacou a luta na fábrica portuguesa do grupo multinacional Sigma como «símbolo de firmeza, de combatividade, de luta e de consciência de classe». Citado pela agência Lusa, Tiago Oliveira realçou que isto é ainda mais importante quando, no País, «o peso na balança está completamente desequilibrado».
Por um lado, «há aqueles que continuam a ter muito, à custa da exploração de quem trabalha». Mas, no outro prato da balança, estão «aqueles que trabalham todos os dias», sem os quais «nada andava para a frente», e que «continuam a ser vítimas de uma exploração enorme». Lembrou, a propósito, que «dois milhões e 500 mil trabalhadores, num total de cinco milhões, levam para casa menos de mil euros por mês». Acresce que «um milhão de reformados leva para casa menos de 510 euros».
Na Nobre, as greves iniciaram-se a 19 de Fevereiro de 2023, perante a recusa patronal da negociação do caderno reivindicativo. Esta recusa manteve-se e as greves têm-se repetido, quase a um ritmo mensal.
A greve de dia 11, decidida durante a que teve lugar a 9 de Junho, contou com uma adesão superior a 80 por cento, como disse à Lusa a delegada e dirigente sindical Inês Santos (que foi a primeira candidata na lista da CDU às últimas eleições legislativas, no círculo eleitoral de Santarém). A próxima paralisação está marcada para 14 de Agosto.
Nas reivindicações aprovadas para 2025, os trabalhadores – organizados no SINTAB e no STIAC, sindicatos da FESAHT/CGTP-IN - incluíram um aumento salarial de 150 euros, garantindo que ninguém ganhe abaixo de mil euros, a subida do subsídio de alimentação para 8,50 euros, 25 dias de férias e folga no dia do aniversário do trabalhador. O pré-aviso de greve do SINTAB referiu ainda a redução da semana de trabalho para 35 horas, o aumento do valor das diuturnidades e a reposição do dia de majoração de férias.
No dia da greve, foi aprovada uma moção a exigir a aplicação do contrato colectivo de trabalho do sector e a negociação de um acordo de empresa.
Resposta na Dan Cake
No dia 10, os trabalhadores da fábrica da Dan Cake na Póvoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira) cumpriram «mais uma jornada de greve contra a montanha de ataques da administração aos seus direitos».
Ao noticiar a luta, na sua página na rede social Facebook, o SINTAB acusou a administração da filial portuguesa do grupo Biscuit International de mostrar «o irresponsável conforto de ter dinheiro para gastar em processos jurídicos», enquanto «recusa melhorar os salários e as condições de trabalho dos seus trabalhadores». «Aqui têm a resposta», comentou o sindicato.