- Nº 2694 (2025/07/17)

Lutas nos centros de contacto por estabilidade e melhores salários

Trabalhadores

As greves nos centros de contacto da Vodafone e da EDP, bem como a que está decidida em várias empresas de Castelo Branco, mostram a unidade e a determinação na luta contra a precariedade e exploração.

Os trabalhadores da RH Mais e da Randstad, a laborar para a Vodafone, continuam em greve intermitente e aos fins-de-semana, por melhores condições de trabalho, com prioridade para o aumento do salário e do subsídio de refeição. Estas formas de luta, como recordou o SINTTAV/CGTP-IN em comunicado, resultam da decisão aprovada num plenário, a 15 de Maio, no centro de contacto de Braga e online, porque as empresas mantêm «total indiferença», face ao descontentamento que se manifesta há já algum tempo».

O sindicato salienta que se trata de «uma luta justíssima e necessária», para «valorizar os salários e as condições contratuais de quem presta trabalho altamente qualificado, a resultar em receitas de milhões para as empresas e “migalhas” para os trabalhadores».

Iniciada em Junho, para continuar até ao fim do ano, a greve aos fins-de-semana decorre das zero horas de domingo à uma hora de segunda-feira. A greve intermitente, em três períodos de duas horas, decorreu de 16 a 20 de Junho, de segunda-feira até amanhã, dia 18, e prossegue na última semana de Agosto.

Nas lojas e centros de contacto da EDP, realizou-se uma jornada nacional de luta no dia 7, com greve e concentrações no Porto, junto de instalações das prestadoras de serviços (Randstad, Manpower e Synchro By Egor) e da empresa contratante.

Os trabalhadores prosseguiram assim a luta em defesa dos seus direitos e por melhores condições de vida e de trabalho, assinalou a FIEQUIMETAL/CGTP-IN, adiantando que ficou decidido voltar a fazer greve nas primeiras segundas-feiras de cada mês, até Novembro.

A federação e os sindicatos consideram que a presente situação «é, económica e socialmente, insustentável» e «resulta da fragilização dos direitos dos trabalhadores, desenvolvida de forma persistente e sustentada, ao longo dos anos, com recurso a sucessivas alterações da legislação laboral, e também pela generalização da utilização de contratação externa (outsourcing)».

Para valorizar e dignificar o trabalho, exige-se, em primeiro lugar, «aumento geral dos salários, subsídio de refeição e outros direitos, equiparando-os aos praticados pelas empresas que recorrem à externalização de operações essenciais para a sua actividade».

Nas reivindicações constam ainda o fim da pressão sobre os postos de trabalho, para vendas por objectivos e tempos de atendimento; o fim da precariedade, com garantia de emprego com direitos; o fim dos despedimentos.

Uma greve para todo o mês de Agosto foi decidida pelos trabalhadores dos centros de contacto do distrito de Castelo Branco, deixando para mais tarde a definição do formato da luta. A informação foi adiantada pelo SINTTAV, que destacou a importância do plenário realizado a 26 de Junho, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, com trabalhadores de empresas como a SIBS, a Intelcia, a Reditus, a Teleperformance, a Multipessoal, a Heading, a GIGP e a Processos CB.

«Não se admite que trabalhadores altamente qualificados recebam o salário mínimo nacional», salientou o sindicato, ao lembrar os principais objectivos da luta e outros momentos em que o descontentamento já ganhou visibilidade, como sucedeu no 8 de Março e a 17 de Setembro.

Para lá do aumento salarial de 90 euros a 1 de Julho, da uniformização do valor do subsídio de refeição em 9 euros, de um maior tempo de pausa do que três minutos por hora e de outras reivindicações, os trabalhadores e o sindicato defendem a celebração de um contrato colectivo de trabalho.

 

Contra despedimentos

Para impedir o despedimento de 68 trabalhadores da Europ Assistance, empresa que há 19 anos assegura o atendimento da Tranquilidade (Generali), o Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (SINAPSA) requereu a intervenção da DGERT (Ministério do Trabalho) e tem uma reunião agendada para esta sexta-feira, dia 18.

No entanto, seguindo o mandato dos trabalhadores, em plenário, o sindicato «nos próximos dias, irá desenvolver acções que poderão causar perturbações nos serviços dos segurados do grupo».

A Generali, multinacional italiana que adquiriu a Tranquilidade, decidiu transferir o trabalho para a Close to Costumers, uma empresa de mediação que é do mesmo grupo mas tem condições inferiores, e pretende despedir os trabalhadores da Europ Assistance. Para o SINAPSA, trata-se de uma transmissão de estabelecimento, pelo que os trabalhadores devem transitar para a nova empresa.

Para amanhã, dia 18, às 10 horas, na Casa Sindical do Porto e online, está convocado um plenário nacional dos trabalhadores do «Mundo NOS», contratados através de empresas como a Manpower, Randstad, RH Mais, Heading, Tempo Team, Sector Interactivo e Egor.

O SINTTAV, num comunicado a apelar à participação, afirma que a NOS avança com despedimentos, abandona o edifício na Campanhã e entrega a gestão dos centros de contacto às empresas de outsourcing. Estas, por sua vez, «aumentam a exploração e deterioram as condições de trabalho». Recusaram negociar o caderno reivindicativo que o sindicato entregou em 2023, mas agora aumentam a pressão e pedem mais esforço, enquanto suspendem os «planos de carreiras». «Temos de ser mais do que isto», apela o SINTTAV.