Brasil e Índia afirmam a sua soberania face à chantagem dos EUA
As taxas alfandegárias impostas pelos EUA sobre produtos do Brasil, que entraram em vigor no dia 6, constituem um acto de ingerência neste país latino-americano, que procura, entre outros aspectos, condicionar as relações internacionais do Brasil, nomeadamente no âmbito do BRICS, assim como a acção das instituições judiciais brasileiras, em pleno processo de julgamento do ex-presidente Jaír Bolsonaro, acusado de ser um dos principais responsáveis pela tentativa de golpe de Estado em 2022.
A Administração norte-americana procurou explicar a imposição do aumento das taxas aduaneiras como uma pretensa acção correctiva face a ditas práticas comerciais desleais por parte do Brasil, no entanto não apresentou qualquer prova nesse sentido – aliás o saldo da balança comercial entre o Brasil e os EUA é favorável a estes últimos.
O aumento das taxas aduaneiraspara 50% impostas pelos EUA abrangem uma ampla gama de produtos brasileiros, embora com algumas excepções. Produtos como sumo de laranja, metais preciosos, pasta de celulose e peças para a aviação civil ficam isentos, aparentemente para não afectar sectores industriais nos EUA. Contudo, sectores fundamentais para a economia brasileira como café, carne e maquinaria pesada são fortemente castigados.
«A nossa democracia está a ser questionada, a nossa soberania está a ser atacada, a nossa economia está a ser agredida», denunciou o presidente Lula da Silva, indicando que estão a ser utilizados mecanismos comerciais como ferramentas de pressão política e de interferência nos assuntos internos do Brasil. «Não houve, em nenhuma outra imposição tarifária, uma tentativa tão evidente de influenciar a justiça de outro país. Esta é uma intromissão inaceitável», afirmou.
O presidente brasileiro deu instruções ao seu governo para manter canais de diálogo abertos com a Administração norte-americana, mas advertiu que «o Brasil não aceitará pressões nem chantagens».
«Uma frente global contra a intimidação»
A Índia, outro país integrante do grupo BRICS, alvo das ameaças da administração norte-americana, considerou profundamente lamentável que os EUA tenham optado por impor taxas aduaneiras adicionais aos produtos indianos por acções que outros países estão também a adoptar no seu próprio interesse nacional – nomeadamente os EUA –,reiterando as suas críticas ao aumento das taxas aduaneiras, que considera uma medida «injusta, injustificada e irracional».
Sobre esta questão, o Partido Comunista da Índia (Marxista) divulgou no dia 7 uma declaração da sua Comissão Política em que apela à resistência contra as «tácticas de intimidação dos EUA».
O PCI(M) condena veementemente os EUA por impor uma tarifa de 50% sobre as exportações indianas e assinala que essa medida unilateral é «arbitrária, ditatorial e reflecte as tácticas de intimidação do governo norte-americano».
O PCI(M) insta o Governo indiano a manter-se firme e a resistir à pressão dos EUA. «O governo deve tomar medidas imediatas para proteger os interesses dos exportadores indianos, que serão afectados negativamente por esses aumentos tarifários», defende o PCI(M).
Antes, o Secretário-Geral do PCI(M), M. A. Baby, condenou a imposição unilateral e ilegal de tarifas por parte dos EUA à Índia, denunciou que o unilateralismo dos EUA «põe em perigo a estabilidade global» e considerou que «é tempo de construir uma frente global contra a intimidação, a coerção económica e as guerras norte-americanas».




