Dia de luta para exigir vida melhor no Algarve

A União dos Sindicatos do Algarve fez de 7 de Agosto um dia de luta regional, com acções de contacto, plenários, paralisações e greves, para defender respostas a problemas que ali são ainda mais graves.

O trabalho aparece durante o Verão, é mal pago, desregulado, sem contratos

A coordenadora da estrutura regional da CGTP-IN frisou que «quem vive e trabalha no Algarve merece melhores condições» e assegurou que «vamos continuar nesta luta», pelo aumento dos salários e das pensões, para «acabar com a precariedade, a sazonalidade, o desemprego e a pobreza», e por «outra política, de esquerda, que valorize o trabalho e os trabalhadores, em vez de favorecer o grande capital e as grandes empresas».

Catarina Marques interveio na concentração realizada ao final da manhã, na baixa de Faro, e que juntou cerca de uma centena de dirigentes e activistas sindicais de vários sectores, bem como trabalhadores em greve. Ali esteve também uma delegação do PCP.

Como primeira, entre as razões para convocar este dia de luta, a dirigente sindical indicou o agravamento da situação dos trabalhadores, sublinhando que problemas nacionais são ainda mais sentidos no Algarve.

A região tem a média salarial mais baixa do País, os horários mais desregulados, trabalho suplementar não pago, informalidade nas relações laborais. Regista também «as maiores taxas de desemprego, principalmente sazonal». O trabalho «aparece durante o Verão, mal pago, desregulado, sem contratos».

Enquanto no País, a taxa de precariedade nos novos contratos de trabalho é de 70 por cento, este indicador sobe, no Algarve, para 80 por cento.

A pobreza também apresenta índices mais elevados do que noutras regiões, o que Catarina Marques ilustrou, lembrando que «cerca de 11 mil crianças vivem no limiar da pobreza».

No distrito de Faro, «o problema da habitação ganha outros contornos, porque esta é a região onde as casas são mais caras».

Referiu ainda, na intervenção – como ficara já assinalado no Manifesto que foi distribuído nas últimas semanas, a mobilizar para este dia de luta –, a falta de uma rede de transportes adequada às necessidades e a degradação dos serviços públicos.

Mereceu destaque a luta realizada nesse dia pelos trabalhadores da Saúde, «em defesa dos seus direitos, pela conquista de melhores condições de trabalho e pela defesa do SNS». A coordenadora da União expressou indignação, perante as declarações do presidente da ULS Algarve (acusando os sindicatos de convocarem a greve apenas por motivos políticos), que procurou dessa forma «branquear a responsabilidade do Governo PSD/CDS na degradação do SNS, bem como de anteriores governos, incluindo do PS».

O 50.º aniversário da União, que conta com 19 sindicatos filiados e alguns outros que colaboram na actividade, foi outro importante motivo para a jornada de dia 7, disse Catarina Marques.

Das iniciativas realizadas de manhã, destacou contactos com trabalhadores da hotelaria, na Quinta do Lago, os plenários na Águas do Algarve e na ALGAR, a «grande adesão à greve por parte dos trabalhadores das autarquias locais».

Da luta no sector social, realçou «uma luta importantíssima, na Santa Casa da Misericórdia de Albufeira», onde os trabalhadores conseguiram que passe a ser respeitado o direito a diuturnidades, inscrito no contrato colectivo de trabalho, mas negado durante anos.

Catarina Marques valorizou ainda o facto de, na negociação da revisão do contrato colectivo do comércio retalhista, ter ficado inscrita a possibilidade de horário flexível para mães e pais de crianças até aos 16 anos (acima dos 12 previstos na lei).


Tudo preparado com os patrões

Na concentração, em Faro, o Secretário-Geral da CGTP-IN falou sobre as mais de 100 alterações que o Governo pretende introduzir na legislação laboral, afirmando que «foi tudo preparado ao pormenor» com os dirigentes patronais.

«Só assim se pode justificar que, na reunião da Concertação Social onde o Governo apresentou estas medidas, nenhum patrão tenha tido a preocupação de abrir o “caderno de encargos” que tinha à frente dele, para perceber o conteúdo das propostas que estavam a ser apresentadas», comentou Tiago Oliveira, relatando que os representantes da CGTP-IN foram «os únicos» que tentaram analisar, logo ali, «a dimensão do ataque».

Este visa em especial «duas questões que são centrais na vida de cada um de nós»: os salários, matéria «fundamental para elevar as condições de vida», e «a disponibilidade do trabalhador para o trabalho», «a disponibilidade que cada um de nós tem de gerir o nosso próprio tempo, a nossa própria vida».

A propósito da proposta do Governo para alterar a lei da greve, Tiago Oliveira destacou que este direito, «o último patamar da luta dos trabalhadores», «é uma conquista de Abril», ao fim de «48 anos em que aqueles que lutavam corriam o risco de serem presos e torturados».

Saudando os 50 anos da União dos Sindicatos do Algarve, o Secretário-Geral da CGTP-IN enalteceu o facto de eles serem comemorados em luta, «na rua, em cada empresa e local de trabalho».


Por mais profissionais e melhor Saúde

Convocada para exigir «mais profissionais, melhor Saúde, um SNS público, acessível e de qualidade no Algarve», a greve de 7 de Agosto teve forte adesão de médicos, enfermeiros e assistentes operacionais e técnicos, como informaram os sindicatos da CGTP-IN no sector (SEP, SMZS e STFPSSRA), ao longo do dia e em conferência de imprensa, de manhã, junto do Hospital de Faro. Os sindicatos «uniram-se em defesa dos profissionais de saúde, da Delegação Regional de Saúde do Algarve (que poderá vir a ser extinta), do Serviço Nacional de Saúde e dos utentes», como afirmaram, numa nota conjunta.



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