António Filipe ao lado de quem trabalha
O candidato presidencial António Filipe esteve junto dos trabalhadores da Nobre Alimentação, em Rio Maior, na passada sexta-feira, naquela que foi a 23.ª greve consecutiva realizada pelos mesmos.
Impedir que a roda da História ande para trás
Mesmo estando «fartos de “levar na pá”», os trabalhadores da Nobre Alimentação «não desarmam» na sua luta «por salários dignos». Assim se lia nas faixas que, a par das bandeiras do SINTAB, STIAC e FESAHT, sindicatos e federação da CGTP-IN, eram erguidas por estes.
Enquanto músicas de Carlos do Carmo e José Mário Branco iam compondo o ambiente, os trabalhadores começavam a concentrar-se em frente ao portão da fábrica, em Rio Maior, que viu já por mais de vinte vezes aqueles que lá trabalham a realizar greve.
Da mesma forma que esta luta não é de hoje, também a solidariedade de António Filipe vem bem de trás. Bastaria lembrar a presença do candidato na luta que iniciou este processo, ainda como deputado eleito pelo circulo de Santarém.
Num momento inicial de saudação aos presentes, uma das trabalhadoras pediu a António Filipe para tentar que «isto não ande mais para trás», afirmando que «isto já andou muito para trás»!
Candidatura distinta
Em declarações à comunicação social, António Filipe defendeu a sua candidatura como «distinta de todas as outras», marcada pela «identificação total com Abril».
Posteriormente, falando aos trabalhadores, lembrou que a «experiência demonstra que tudo o que os trabalhadores conquistam é pela sua luta» e que «Portugal não se desenvolve enquanto estes continuarem a ser mal pagos».
O candidato reafirmou ainda o seu compromisso com a defesa intransponível da Constituição, nomeadamente dos aspectos que se prendem com os direitos dos trabalhadores, como a «justa remuneração, o salário igual para trabalho igual, e o direito à contratação colectiva.»
Força a quem cria a riqueza
Inês Santos, trabalhadora da empresa e delegada sindical, denunciou a atitude da empresa que já nem «se digna a responder às nossas moções», informando ainda de um pedido de mediação na DGERT que foi agendado para o primeiro dia de Setembro.
Cristina Camilo, trabalhadora na Nobre Alimentação, leu a moção que seria seguidamente aprovada pelos trabalhadores presentes. Na mesma, afirma-se que «a contratação colectiva é um nobre e genuíno instrumento para a consagração dos direitos conquistados».
Falaram ainda Marcos Rebocho, do STIAC, Luís Trindade, da FESAHT e José Correia, da CGTP-IN. Marcos Rebocho destacou a importância do contacto diário com os colegas, pois só com a presença de todos é que a nossa luta ganha força». De seguida, Luís Trindade apelou aos trabalhadores para que «não percam a força», mesmo que a empresa se «aproveite do desgaste».
José Correia, por sua vez, afirmou que, perante «uma ofensiva desta dimensão», só a mobilização dos trabalhadores poderá travar os planos do Capital e «impedir que a roda da História ande para trás».




