André Martins destaca investimento histórico em Setúbal e reforça compromisso com a população

André Martins, que a CDU volta a candidatar a presidente da Câmara Municipal de Setúbal (CMS), faz um balanço do mandato 2021-2025 e apresenta as principais propostas para o futuro do concelho. Nesta entrevista ao Avante!, aborda temas como a descentralização, a gestão da água, a habitação social, a saúde, a segurança e o investimento público. Para André Martins, o diálogo constante com as populações e o trabalho de proximidade são a base para construir um concelho mais justo, sustentável e dinâmico.

«Este mandato tem o maior investimento público da história do município»

As festas populares são momentos privilegiados para o contacto directo com a população. Que sentimentos tens recolhido nessas ocasiões?

A relação é sempre muito próxima. Nós, na CDU, trabalhamos com as populações e entidades de forma muito estreita e constante. Por isso, nestas iniciativas festivas, essa proximidade fica clara, gerando uma relação de confiança e respeito. Isso é o reflexo do vínculo que criamos, independentemente das diferenças ideológicas.

Faz sentido falar do regresso da Feira de Sant’Iago a outro lugar que não nas Manteigadas?

Há forças políticas que insistem em trazer a feira para o centro da cidade, aproveitando o saudosismo de quem viveu a feira em tempos passados. É preocupante quando se tenta capitalizar esse sentimento para ganhar votos. A realidade é que, tal como a feira existe hoje, não há condições para a colocar no centro da cidade, nem espaço com a dimensão necessária, infra-estruturas e estacionamento adequados.

Quase a terminar este mandato com maioria relativa, como avalias o trabalho da CDU à frente da CMS?

Não foi fácil. Cada proposta nossa enfrentava resistência e argumentos contrários, especialmente por parte da maioria na oposição. Mas conseguimos, mesmo assim, impor muitas das nossas iniciativas, que trazem benefícios claros para a população. Essa persistência e qualidade das propostas acabaram por prevalecer.



Quais os projectos mais emblemáticos que marcaram este mandato e que impacto tiveram na vida dos setubalenses?

O maior destaque vai para a passagem da gestão da água para a Câmara, criando os Serviços Municipalizados e conseguindo uma redução média de 20% na tarifa da água. É um benefício real para as famílias, embora haja quem confunda com o aumento total da factura, que inclui a gestão dos resíduos — essa sim, uma despesa que subiu muito, fruto do aumento dos custos da AMARSUL.

Para além disso, este mandato tem o maior investimento público da história do município: cerca de 200 milhões de euros aplicados em educação, desporto, cultura, ambiente, mobilidade e habitação. São obras estruturantes, pensadas para melhorar a qualidade de vida, não meros projectos de fachada.

Que medidas tem a CDU para garantir a sustentabilidade e qualidade do serviço de água municipal?

Criámos os Serviços Municipalizados, com mais de 220 trabalhadores e em processo de reforço com mais 43 profissionais ainda este ano, além da aquisição de equipamentos e viaturas. Estamos a investir para garantir a qualidade e a continuidade do serviço. A concessão anterior evitou os investimentos necessários, como a renovação das condutas e reservatórios, que se degradaram ao longo dos anos. Agora é o investimento público que vai assegurar isso.

Registaram-se avanços na descentralização de competências para as freguesias?

A CDU tem promovido um processo gradual e responsável de transferência de competências para as freguesias, acompanhando a sua vontade e capacidade. Somos o município do País com maior descentralização financeira proporcional para as freguesias. Este esforço facilita uma resposta mais rápida e eficaz aos problemas locais, muitas vezes com custos inferiores. No próximo mandato, esperamos ver resultados ainda mais visíveis para as populações.

A requalificação dos bairros municipais foi uma prioridade. Como correu essa intervenção e o que ainda está previsto?

Estamos a requalificar cerca de 1800 habitações municipais, o que implica um processo difícil, porque as famílias têm de sair temporariamente das suas casas para ficarem alojadas em mono-blocos equipados. É um sacrifício para quem está habituado à sua casa, mas vale a pena. O tempo de execução tem vindo a diminuir (de 9 para 6 meses), graças à experiência das empresas. Há desafios, como falta de mão-de-obra nas construtoras, que atrasam algumas obras, mas vamos acompanhando tudo de perto. As pessoas que já regressaram às casas requalificadas mostram uma enorme satisfação pela melhoria nas condições habitacionais.

E em relação aos serviços de saúde no concelho, qual é o teu diagnóstico e que propostas defende a CDU?

A saúde tem sido uma preocupação constante. Os serviços têm vindo a degradar-se, com falta de profissionais e equipamentos. As urgências nos hospitais da Península fecham, sobretudo aos fins-de-semana, por falta de pessoal, o que é inaceitável. Tentámos reuniões com o Governo, mas ainda não houve respostas concretas.

Nunca aceitamos a transferência de competências na saúde porque recusamos assumir responsabilidades por um sistema que foi desinvestido sucessivamente pelos vários governos. É um erro grave que prejudica o Serviço Nacional de Saúde e as populações.

 

Situação política local e contexto eleitoral

As críticas da oposição têm algum sentido?

Além da proposta da Feira de Sant’Iago regressar ao centro da cidade, o PS apresenta medidas como a videovigilância, que alega resolver os problemas do concelho. É outra proposta eleitoralista, baseada numa percepção de insegurança que, analisando Setúbal ao nível nacional, é uma das situações menos problemáticas. A videovigilância exigiria câmaras em todo o lado, o que não nos parece a melhor nem a mais prioritária solução.

Não somos contra a videovigilância, mas consideramos que tem custos significativos e condiciona a liberdade dos cidadãos. A prioridade deve ser ter polícia de proximidade nas ruas – uma competência do Poder Central que este frequentemente ignora. Essas medidas demagógicas não respondem às reais necessidades do território. A presença efectiva de agentes na rua é que muda a percepção da insegurança.

Há ainda forças que exploram o tema da imigração para fomentar o medo – são agendas distintas, perigosas e lamentáveis. É triste ver o PS, um partido nascido do 25 de Abril, a adoptar uma retórica semelhante à extrema-direita, com outdoors a prometer segurança apenas através da videovigilância em todo o lado.

A Comissão Política Nacional do PSD declarou apoio a Maria das Dores Meira, ex-presidente eleita pela CDU. Como interpretas esta situação?

Sobre essa candidatura “independente”, apoiada pelo PSD e CDS, não sabemos até que ponto essa independência é real. As propostas entram muito na demagogia. O apoio destas forças faz sentido para um regresso ao passado.

É natural que haja alguma ilusão – a candidata foi eleita pela CDU durante muitos anos –, mas quando as pessoas abandonam projectos de continuidade e futuro, alinhando-se com PSD e CDS, não podemos esperar muito mais, porque conhecemos as prioridades dessas forças.

Na CDU, temos de continuar a trabalhar para desmontar essa farsa.

 

Perspectivas e propostas para o futuro

A CDU renovou as suas listas para os órgãos autárquicos. Que contributos traz esta renovação?

Renovar as listas é essencial. A experiência é importante, mas precisamos também de novas ideias e projectos. Nas nossas listas, 25% são candidatos pela primeira vez, o que é um sinal muito positivo e demonstra vitalidade no nosso projecto colectivo.

Que compromissos assume a CDU com os trabalhadores municipais e os serviços públicos para os próximos quatro anos?

Temos uma relação estreita e próxima com os trabalhadores do município. A opção gestionária tem beneficiado centenas deles, contribuindo para o seu bem-estar na Câmara Municipal. Isso é importante, sobretudo quando as condições das carreiras são decididas pelo Poder Central e frequentemente alteradas.

Por exemplo, trabalhadores que vieram do Ministério da Educação passaram a ter direitos iguais aos dos restantes funcionários da Câmara, com benefícios, como apoio à saúde, fardamentos e celebração do dia do aniversário. São pequenas coisas, mas muito valorizadas por quem todos os dias trabalha para servir a população.

Os trabalhadores são fundamentais na administração da CDU. O que se faz nas ruas, nas obras e nos serviços é graças ao seu esforço. Os eleitos dão orientações, mas é o trabalho destes profissionais que concretiza os projectos.

Setúbal foi a terceira Câmara do País com maior volume de investimento aprovado no âmbito do PRR. Que importância tem este investimento e como será aplicado?

Há três grandes áreas de intervenção. O trabalho nunca está terminado – sempre que se conclui algo, surgem novas necessidades.

Temos obras previstas em escolas transferidas pelo Poder Central, muitas delas muito degradadas. Em duas delas, propusemos não só a requalificação, mas a construção de escolas novas, dada a gravidade do estado actual. Esperamos que, no próximo mandato, com financiamento do Estado, estas quatro escolas sejam construídas, num investimento estimado superior a 80 milhões de euros. De igual forma e nas mesmas condições, vamos construir mais um centro de saúde.

Na área desportiva, Setúbal tem grande dinâmica e queremos corresponder às expectativas, tanto nas modalidades tradicionais como na náutica, explorando a Baía e o estuário. Por isso, vamos investir em infra-estruturas para estas práticas.

Quanto à mobilidade, continua a ser um desafio fundamental. Com o aumento do número de carros e o espaço público limitado, é necessário incentivar a mudança de hábitos, promovendo transporte público de qualidade e desincentivando o uso do carro particular.

Estamos a construir três grandes espaços verdes: um no centro da cidade, outro na freguesia da Gâmbia – Alto da Guerra (9 hectares), e outro na freguesia do Sado (4 hectares). Estes espaços são essenciais no combate às alterações climáticas e para a qualidade de vida das pessoas. A manutenção destes espaços terá um custo significativo, mas é um investimento que vale a pena.

Vamos também continuar a requalificar património cultural e a cuidar da frente ribeirinha, mantendo uma parceria estreita com a administração portuária para fortalecer a ligação da cidade ao rio.

Qual será o papel do turismo no desenvolvimento económico de Setúbal?

O turismo é um grande objectivo para Setúbal. Temos condições naturais excelentes: a Reserva Natural do Estuário do Sado e o Parque Natural da Arrábida atraem muitos visitantes.

Criámos a Associação da Baía, integrada no Clube das Mais Belas Baías do Mundo, que promove a região e os seus produtos tradicionais. Também temos empresários do sector marítimo-turístico que oferecem percursos em terra e no estuário, encantando os visitantes.

Investimos para criar as melhores condições para a restauração e gastronomia locais, com destaque para o Mercado do Livramento, reconhecido mundialmente e que em 2026 celebra 150 anos.

E claro, o choco frito é uma referência incontornável de Setúbal.

Que mensagem deixas aos eleitores indecisos ou desiludidos com a política?

A gestão da CDU é feita com e para as pessoas. Essa proximidade assegura que o nosso trabalho corresponde às suas expectativas. Não fazemos tudo o que as pessoas desejam, mas vamos correspondendo progressivamente às suas necessidades e ao desenvolvimento do concelho.

Temos uma experiência sólida e um compromisso real. Por isso, as pessoas têm todas as razões para continuar a confiar e votar na CDU, e não se deixar levar por projectos de ilusões ou propostas que pouco têm a ver com a realidade concreta que Setúbal precisa.

 



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