UE: subserviência e belicismo
O recente acordo comercial entre os EUA e a UE tinha deixado bem à vista a dimensão e gravidade do alinhamento da UE com o imperialismo norte-americano e a submissão e subserviência aos seus interesses.
Agora, a propósito das iniciativas diplomáticas em torno do fim da guerra que se trava na Ucrânia, tudo isso volta novamente a ganhar expressão.
O papel secundário para o qual a UE se remeteu e foi remetida nas discussões que envolveram os EUA e a Rússia, bem como as posições assumidas pela UE e as suas principais potências insistindo no confronto com a Rússia, são muito reveladoras.
A administração de Donald Trump continua a procurar impor o domínio norte-americano à escala global, utilizando para esse fim todos os meios ao seu alcance, incluindo a força militar e o recurso à guerra. Não há nas posições da administração norte-americana nenhum abandono dessas opções. Há, sim, uma gestão política do recurso à guerra em função da consideração daquilo que melhor serve os objectivos de domínio hegemónico norte-americano, incluindo as condições para o concretizar. É, de resto, isso que se revela no impulso dado pelos EUA à corrida aos armamentos a partir da NATO ou no apoio expresso e assumido ao genocídio do povo palestiniano às mãos do governo de Israel.
As posições assumidas recentemente pelos EUA na discussão com a Rússia devem também ser avaliadas nesse enquadramento.
O sentido em que a administração norte-americana procura encaminhar, agora, a guerra que se trava na Ucrânia e o impacto produzido pelas iniciativas que tomou nesse sentido são reveladores de quem tem estado ao volante na condução daquele conflito, há já mais de 11 anos. E deve admitir-se a forte possibilidade de a acção de Donald Trump ser apenas uma expressão da opção de não querer agora dispersar forças que lhe são necessárias para o confronto com a China, vista pelos EUA como seu principal adversário.
Apesar do cinismo ou calculismo que tenham motivado a acção da administração norte-americana, da parte da UE e dos dirigentes das suas principais potências as actuais circunstâncias poderiam ter sido aproveitadas para dar um contributo para se encontrar uma solução de paz e de segurança colectiva para toda a Europa.
Pelo contrário, o que se viu e ouviu foi, mais uma vez, uma retórica de confronto com a Rússia e o sublinhar de elementos de obstaculização em relação a um caminho que possa vir a ser percorrido com vista a pôr fim à guerra, tendo em conta as suas causas profundas. O que é uma forma indirecta de dizer que a UE está disponível para continuar a fazer parte do trabalho sujo dos EUA, mantendo viva a confrontação com a Rússia e deixando os EUA mais à vontade para orientarem as suas forças para o confronto que entendem como decisivo.
Por muito que os responsáveis políticos da UE e das suas principais potências digam o contrário, a mensagem que resulta, afinal, daquelas posições é, mais uma vez, a do alinhamento da UE com o imperialismo norte-americano e a submissão e subserviência aos seus interesses. E essa não é política que sirva a povo nenhum.




