Inacção é “combustível” para os fogos em Portugal
Paulo Raimundo visitou, anteontem, dia 19, algumas das zonas afectadas pelos incêndios que lavraram no concelho de Ponte da Barca no final do mês passado.
«É possível preparar, conservar e impedir que as chamas atinjam esta dimensão»
Em declarações à imprensa, o Secretário-Geral prestou solidariedade à população que enfrentou, e ainda enfrenta, este drama, assim como aos bombeiros e restantes forças de protecção civil. Um esforço de combate que foi realizado, afirmou,sob um «Governo que acordou tarde e arrogante para este drama e mediu muito mal a sua dimensão».
«Não é possível impedir completamente que os fogos aconteçam, mas é possível preparar, conservar e impedir que as chamas atinjam esta dimensão», acrescentou.
A culpa, disse, reside nas «políticas incendiárias» deste e anteriores executivos: «Enquanto as medidas necessárias, que sabemos quais são, não saírem do papel, não é possível preservar este bem maior que é a floresta, nem a vida das pessoas e dos animais».
Nas últimas três semanas, assistimos a populações em constante sobressalto, alertas de autarcas e bombeiros e insuficiência de meios de combate. E, perante isto, o Governo tem estado praticamente em silêncio, fugindo às medidas urgentes e ignorando as questões estruturais e opções políticas que nos trouxeram até aqui, tanto do actual como de anteriores executivos.
Erros que se alastram
Ainda na segunda-feira, a bancada comunista requereu uma reunião extraordinária da Comissão Permanente da Assembleia da República para debater, com a presença do primeiro-ministro, a grave situação dos incêndios.
No requerimento, o PCP salienta que «os anos passam e quase tudo está na mesma: falta de investimento e desordenamento da floresta, desvalorização da agricultura e do mundo rural, preços da madeira estagnados, progressão da monocultura florestal, descontrolo de espécies invasoras, despovoamento das zonas rurais e desmantelamento das estruturas do Estado e dos serviços públicos».
O Grupo Parlamentar requereu, ainda, a audição do presidente do Observatório Técnico Independente em sede de comissão parlamentar de agricultura.




