INTERVIR COM CONFIANÇA
«A situação que vivemos exige a intensificação da luta»
Os trabalhadores, o povo e o País continuam a sofrer as consequências das políticas do Governo PSD/CDS (suportadas por Chega e IL e, nas questões fundamentais, apoiadas pelo PS): degradação e privatização de áreas como a saúde, a educação ou a segurança social; encerramento de urgências e outros serviços de saúde; desinvestimento na Escola Pública e na habitação; abertura de novas parcerias público-privadas; baixos salários e baixas pensões; aumento muito significativo do custo de vida, desde logo no preço dos alimentos.
Opções que se expressam de forma particularmente evidente na atitude do Governo face aos incêndios florestais, e que não estão desligadas do processo de liberalização económica que conduziu à desertificação e abandono do Interior e da acção premeditada de sucessivos governos de corte nas estruturas do Estado, de boicote da acção das empresas públicas, da privatização de sectores estratégicos.
De facto o Governo acordou tarde para o drama que se vivia e foi à pressa que anunciou na semana passada 45 medidas para o apoio mais imediato às populações. Medidas que, embora insuficientes, e mesmo não resolvendo os problemas essenciais, precisam de ser concretizadas de forma célere, para que não aconteça o que aconteceu no passado em que outras medidas não passaram de anúncios.
Mas o PCP sublinha o que já tantas vezes tem afirmado: que não haverá resposta a este problema sem um fortíssimo investimento público no território e em particular no Interior do País.
Um investimento nas estruturas do Estado, desde logo do Ministério da Agricultura (entre outras) e em políticas de promoção da agricultura familiar e do mundo rural; com preços justos à produção; com serviços públicos que respondam às necessidades das populações e com a recomposição e reordenamento da floresta portuguesa. Uma política que imponha uma reestruturação do sistema de Protecção Civil, a valorização dos bombeiros, dos seus salários e direitos.
Como questionou, ontem na AR, o Secretário-Geral do PCP dirigindo-se ao primeiro-ministro, porque não investe o Governo na agricultura, na floresta, nas populações, na coesão do território, em vez do investimento brutal (5 por cento do PIB, ou seja, cerca de 15 mil milhões de euros por ano) para a corrida aos armamentos e a guerra?
É nesta e só nesta “guerra” que é preciso investir, é este o pacto e só este pacto que se impõe.
Uma opção urgente e necessária que exige a ruptura com as opções da política de direita que está a ser imposta ao País, de submissão às imposições da UE e ao serviço dos interesses dos grupos económicos e das multinacionais.
Portugal é um País soberano que precisa que o Estado tenha os meios de intervenção, planeamento e organização do território, com os serviços públicos fortalecidos capazes de assegurar direitos, a coesão de todo o território e o combate às desigualdades.
É a luta por esta ruptura e por uma política alternativa ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País que todos somos chamados a travar.
Luta por melhores salários, pela erradicação da precariedade, por horários regulados, por direitos e condições de trabalho que torna incontornável a mobilização, unidade e luta dos trabalhadores e para enfrentar e derrotar o pacote laboral.
Luta que terá uma importante expressão no próximo dia 20 de Setembro na Jornada nacional de luta contra o pacote laboral, promovida pela CGTP-IN, com manifestações em Lisboa e no Porto, que requerem uma grande mobilização.
Também no plano internacional se adensam sinais preocupantes, com destaque para a situação na Palestina onde prossegue o genocídio do povo palestiniano por Israel, mas também para as tentativas de inviabilizar uma solução política para a guerra que se trava na Europa, o fomento da corrida aos armamentos (com que o Governo PSD/CDS comprometeu o País) ou a escalada provocatória e militarista dos EUA na América Latina. Situação que impõe a necessidade de prosseguir e desenvolver a acção de solidariedade com o povo palestiniano e de apoio ao seu direito a uma Palestina Livre e independente e à paz no Médio Oriente, assim como a solidariedade com os outros povos que enfrentam a ingerência e a agressão do imperialismo, bem como a luta em prol da Paz, contra o militarismo, a escalada armamentista e a guerra, em defesa da soberania e dos direitos dos povos, e pela justiça e o progresso social.
É neste quadro que o PCP intensifica a acção de preparação da Festa do Avante!, a uma semana do seu início, dando centralidade à sua divulgação, venda da EP e à finalização da construção.
Festa do Avante! que será um importante momento de afirmação dos valores de Abril, num ambiente de liberdade, democracia, cultura, com um diversificado programa de actividades, em que sobressai, no plano político, o comício, a realizar no domingo.
E é neste quadro que se impõe travar a batalha autárquica, afirmando o projecto distintivo da CDU, sob a consigna Trabalho, Honestidade e Competência ao serviço das populações, para que se possa viver melhor na nossa terra. Batalha política que vai ter na Festa um importante momento de afirmação, que se vai projectar nos combates futuros por um Portugal justo, desenvolvido e soberano.




