Cortes e gastos militares rejeitados em França

O governo francês enfrenta forte oposição popular e poderá cair em breve, caso seja chumbada uma moção de confiança prevista para os primeiros dias de Setembro. O ministro da Economia e Finanças ameaça com a intervenção do FMI.

Governo francês corta em direitos e gasta mais na guerra

Depois de Michel Barnier, François Bayrou poderá a ser o próximo primeiro-ministro de França a ser afastado após uma breve passagem pela chefia do governo. À semelhança do seu antecessor, Bayrou foi imposto por Emanuel Macron contra a vontade expressa pelos franceses em Junho do ano passado, quando a Nova Frente Popular (NFP) – que integra a França Insubmissa, o Partido Comunista Francês, o Partido Socialista Francês, os Ecologistas e outros partidos e movimentos – alcançou o maior número de eleitos no parlamento.

A moção de confiança, pedida pelo próprio Bayrou, deverá ser discutida na Assembleia Nacional a 8 de Setembro, mas a oposição ao governo sente-se já nas ruas e nas empresas: anteontem, 26, estiveram em greve os trabalhadores da Rádio França; a 1 de Setembro há paralisações nos hospitais de Paris e os trabalhadores do sector energético param no dia 2. Para dia 10 estão convocadas diversas manifestações.

O Partido Comunista Francês já fez saber que defende «outro governo, outra política» ao serviço do trabalho, dos salários, do emprego e da justiça social.

A contestação ao governo subiu de tom aquando da apresentação de medidas ditas de “austeridade”, sob pretexto do aumento do défice, entre as quais se contam cortes em prestações sociais, o desinvestimento em serviços públicos, o aumento real de impostos sobre o trabalho ou a eliminação de dois feriados. Ao mesmo tempo, mantêm-se elevados benefícios fiscais ao grande capital e foi anunciado um significativo aumento dos gastos militares e para a guerra.

Como forma de chantagem, o ministro da Economia e das Finanças ameaçou com a intervenção do Fundo Monetário Internacional para impor aquilo que o governo poderá não conseguir.

 



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