Dirigentes latino-americanos e caribenhos rejeitam ameaças dos EUA

Dirigentes latino-americanos e caribenhos defendem que a região seja respeitada como zona de paz e rejeitam qualquer acção contra a soberania dos povos. Solidário com a Venezuela Bolivariana, o PCP denuncia «a escalada provocatória e militarista dos EUA» na América Latina.

PCP denuncia inaceitável acto de intimidação e ingerência contra a Venezuela

Intervindo na XIII Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP), no dia 20, dirigentes latino-americanos e caribenhos denunciaram a deslocação de navios de guerra norte-americanos para a região e as ameaças dirigidas à República Bolivariana da Venezuela. Defenderam que a região seja respeitada como zona de paz e rejeitaram qualquer acção que comprometa a soberania dos povos.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apelou «à união de todos os povos rebeldes, de todos os movimentos sociais» da América Latina, das Caraíbas, dos EUA, de África e «mais além», em defesa do «direito do povo venezuelano à soberania, à paz, à autodeterminação e ao seu futuro».

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou as pretensões do governo dos EUA para, através de pressões e bloqueios, tentar dividir os países do continente. Solidários com a Venezuela manifestaram-se também, entre muitos outros dirigentes da região, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que instou a ALBA-TCP a unir forças para defender a soberania regional, e o presidente da Bolívia, Luis Arce, que se insurgiu contra «a inadmissível provocação dos EUA, que ainda acham que a América continua a ser o seu pátio traseiro».

Já na véspera, a presidente do México, Cláudia Sheinbaum, tinha sublinhado que a acção dos EUA atenta contra os princípios da soberania dos Estados. Na constituição mexicana, lembrou, está claramente estabelecida a posição do país: a autodeterminação dos povos, a não intervenção e a resolução pacífica de controvérsias.

Também a China manifestou, no dia 21, a sua oposição firme a «qualquer acção que viole os propósitos e princípios da Carta da ONU» e a soberania e a segurança de qualquer país, tendo em conta a instalação de meios militares norte-americanos no Mar das Caraíbas, junto à Venezuela.

 

«Escalada provocatória e militarista» dos EUA

O PCP denuncia e repudia as acções provocatórias e agressivas da Administração Trump em curso na América Latina, nomeadamente no Mar das Caraíbas, invocando falsamente o combate ao narcotráfico. E alerta para a séria ameaça que representa a intensificação do militarismo e o intervencionismo do imperialismo norte-americano para a soberania e os direitos dos povos latino-americanos e caribenhos e para a paz e a segurança na região.

Em comunicado do seu Gabinete de Imprensa, no dia 22, sublinha que a projecção de relevantes meios bélicos aéreos e navais e os planos de mobilização de milhares de militares dos EUA para as fronteiras marítimas da República Bolivariana da Venezuela constituem «um inaceitável acto de intimidação e ingerência contra a Venezuela e uma ameaça à soberania de outros Estados da região, como o México». Alegando com o falso pretexto do combate aos «cartéis da droga», denominados pela Administração Trump como «terroristas», são efectivamente os EUA que ao longo de décadas têm promovido e apoiado diversos grupos responsáveis por uma acção terrorista visando diversos países latino-americanos, de que Cuba é exemplo.

Estas manobras belicistas, precedidas pelo inadmissível anúncio da procuradora-geral dos EUA sobre o aumento para 50 milhões de dólares da recompensa por informações que permitam o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmam que «o imperialismo norte-americano desrespeita frontalmente os princípios da Carta da ONU e o direito internacional para impor a famigerada Doutrina Monroe e a ingerência e dominação na América Latina e Caraíbas, como é igualmente evidenciado pelas recentes e descaradas pressões, ingerência e desrespeito pela soberania do Brasil e das suas instituições democráticas e jurídicas».

O fim imediato das actuais provocações e ameaças, como do criminoso e ilegal bloqueio imposto a Cuba e das medidas coercivas arbitrárias impostas a Cuba, Venezuela, Nicarágua e a outros países da região, são exigências dos comunistas portugueses, que reafirmam «a sua solidariedade com a Venezuela Bolivariana, com a luta do povo venezuelano, dos comunistas e das forças progressistas venezuelanas, assim como com a luta dos outros povos latino-americanos e caribenhos, em defesa da soberania e independência nacionais, da paz e do progresso social».

 



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