Saem mais 30 milhões para a mesa do canto!
O Governo vai pôr mais 30 milhões de euros na Autoeuropa.
O Ministro da Coesão Territorial e o Presidente da República foram de braço dado à Volkswagen Autoeuropa assinalar o arranque simbólico da produção de um novo modelo eléctrico. Com discursos inflamados sobre a centralidade do investimento da multinacional alemã no nosso país, Castro Almeida e Marcelo exibem a sua felicidade e tecem loas à visão dos iniciadores do projecto. Na boleia, aproveitam para entregar o chequezito, de 30 milhões de euros, parece que, desta feita, para ajudar à descarbonização.
Estes 30 milhões somam-se a outros 36 milhões oferecidos em 2014, a 3,5 milhões entregues em 2006 para formação profissional, a 600 milhões atribuídos em 2004, às centenas de milhares pagos pela Segurança Social para trabalhadores em lay-off (ou será mais?), aos valores que a Segurança Social paga para assegurar as creches dos filhos dos trabalhadores que têm de trabalhar aos sábados, a isenções e benefícios fiscais que estão por contabilizar.
Não se põe aqui em causa a necessidade do Estado português assumir uma política de incentivo à produção industrial, e em particular às indústrias que usam a tecnologia e os métodos de trabalho mais avançados. Aliás, há centenas de milhares de micro, pequenas e médias empresas a quem, em tempo de aperto de muitas famílias, daria jeito uma pequena parte destes apoios milionários.
Mas não se pode deixar de assinalar – quando tantos criticam os apoios que existem para a sobrevivência de pessoas em dificuldades económicas, quando temos tantos a defender o Estado mínimo e a sua não interferência no mundo empresarial, quando alguns criticam mulheres por quererem dar amamentação aos seus filhos – o quão extraordinário é fazer-se vista grossa a este autêntico regabofe de fundos públicos para serem apropriados por grupos económicos privados.
Insaciável no seu objectivo de aprofundar a exploração e concentrar a riqueza, ávido de mais e mais lucros, o capital vê e conta com os governos de turno uma espécie de empregados de mesa da distribuição do bolo que devia ser de todos.
Basta dar a ordem: “saem mais 30 milhões para a mesa do canto!”




