- Nº 2701 (2025/09/4)Após 12 anos de presidência CDU, Vítor Proença faz o balanço do trabalho realizado em Alcácer do Sal, destacando investimentos em habitação social, eficiência hídrica, mobilidade e valorização do património. Arlindo Passos, actual presidente da União de Freguesias de Alcácer (Santa Maria do Castelo, Santiago e Santa Susana) e candidato da CDU à presidência da Câmara, aponta prioridades para o futuro: emprego, habitação, ambiente e turismo. Ambos sublinham a diferença entre o trabalho sério da CDU e as opções do PS, reafirmando a confiança no projecto que «serve a população e não agendas partidárias».
Que balanço faz da governação da CDU em Alcácer do Sal ao longo dos últimos anos?
Vítor Proença: Este foi um mandato de consolidação de um trabalho iniciado há 12 anos, quando recuperámos a Câmara Municipal e vários órgãos autárquicos da gestão desastrosa do PS. É também o mandato da concretização de inúmeros projectos.
Por um lado, algumas realizações vinham já de trás, outras resultam de compromissos assumidos. Destaco, por exemplo, o Centro Náutico de Alcácer, uma obra de quase um milhão e 200 mil euros que permite aos jovens, estudantes e à população em geral usufruir do rio, aprender a remar, praticar desporto e, simultaneamente, oferece a quem nos visita uma imagem viva, com barcos no rio – algo que há uns anos simplesmente não existia.
Neste mandato avançámos também com elementos de arte urbana, em homenagem aos salineiros e às mondinas, mulheres que trabalhavam nos arrozais.
Outro marco foi a atribuição de 30 habitações sociais, no âmbito do Programa 1.º Direito, a famílias em situação de carência económica, proporcionando-lhes um lar digno.
É igualmente o mandato do arranque do Plano de Urbanização da Comporta, uma zona com enorme pressão urbanística, e onde foi necessário actualizar o ordenamento da Aldeia da Comporta.
Acresce a realização de infra-estruturas diversas, nomeadamente a renovação de redes e uma aposta fortíssima na eficiência hídrica. Há quatro anos consecutivos que conseguimos manter o tarifário da água sem qualquer aumento para o consumidor – algo notável no País – graças à redução das perdas e a uma gestão rigorosa. Assim, aumentámos a receita sem onerar as famílias.
Isso só se atinge com um mandato de continuidade?
Com continuidade, mas também com estudos e programação. Na freguesia do Torrão, por exemplo, a 30 quilómetros da sede do concelho, foi feita a requalificação integral do Bairro Miguel Torga, que estava completamente abandonado.
Este é também o mandato em que Alcácer se afirmou como terra de grandes eventos. O Parque Urbano, construído no anterior mandato, tornou-se um pólo de dinamização cultural e desportiva, ao ponto de já sermos referência e modelo para outros municípios que nos visitam para conhecer a nossa experiência.
Foi um mandato difícil?
Não há mandatos fáceis. Há sempre constrangimentos e oportunidades, e cabe a nós adaptarmos-nos às circunstâncias. O maior problema continua a ser a ausência de uma região administrativa, o que nos obriga a bater constantemente às portas dos ministros e secretários de Estado. A pressão junto do Poder Central tem de ser constante.
Destaco, contudo, conquistas importantes. Com a SIMAL e a Comunidade Intermunicipal – a única no País presidida pela CDU – reduzimos os passes interurbanos para 20 euros. Quem pagava 200 euros de Alcácer a Lisboa paga agora 20. É rendimento directo para as famílias.
Fomos também pioneiros no transporte gratuito para as praias durante Julho e Agosto: todos os dias, jovens e idosos vão até à Comporta sem pagar rigorosamente nada.
Essas medidas podem ajudar a fixar mais população no concelho?
São uma ajuda, mas o factor decisivo é o emprego. Acredito que Alcácer vai inverter a tendência de perda demográfica e que na próxima década vamos registar crescimento populacional.
Estão a surgir empreendimentos que serão, em grande parte, primeira habitação. E a Câmara tem tido uma política activa para facilitar esse processo.
Mas volto a sublinhar: sem alternativas de emprego não há fixação sustentável. O Alentejo tem perdido população porque faltam políticas públicas de criação de emprego.
Que projectos estruturantes ficam em curso e considera mais importantes para o futuro?
Cabe ao próximo executivo – que acredito será da CDU – definir prioridades. Mas sublinho que houve um esforço enorme para robustecer a estrutura orgânica da Câmara.
Quando chegámos, além da dívida escondida de meio milhão de euros que o PS deixou, não havia sequer projectos prontos a executar. Nos dois primeiros mandatos tivemos de recuperar esse atraso.
Encontrámos também uma estrutura interna fragilizada. Hoje temos técnicos superiores jovens, na sua maioria naturais de Alcácer, e uma rede de encarregados que dão grande força ao município. Isso é uma mais-valia para o futuro.
No plano material, deixamos já projectos em curso. Por exemplo, o concurso público de 450 mil euros para aquisição de toda a estrutura tecnológica de rede de dados do município. No tempo do PS compravam-se computadores avulso; hoje temos uma visão integrada e de futuro.
Como avalia a relação do município com o Poder Central?
O problema não está na simpatia dos ministros, mas na concretização. Promessas temos muitas, mas resultados só com luta e pressão.
Temos exemplos positivos, como o desassoreamento do rio, já protocolado e prestes a avançar, ou a adjudicação da reparação das muralhas do Castelo, monumento nacional. No tempo do PS quiseram empurrar esse encargo para a Câmara.
A verdade é que só a insistência e a reivindicação permanente permitem conquistas. Nem sempre conseguimos, mas nunca baixámos os braços.
Que mensagem deixa aos alcacerenses?
Que escolham um projecto autónomo, que não anda de chapéu na mão nem a reboque do Governo. O Poder Local tem de servir as populações, não as agendas partidárias. A CDU é a força que representa a alma e a vontade do povo de Alcácer do Sal.
A CDU vai «captar investimento que crie emprego qualificado»
Sendo presidente da União de Freguesias de Alcácer do Sal, desde 2013, como qualifica a relação entre os órgãos autárquicos do concelho?
Arlindo Passos:Tem sido um trabalho de cooperação. Nos últimos três mandatos houve sempre diálogo entre município e freguesias. Na preparação do Orçamento Municipal há cuidado em ouvir as freguesias e as suas necessidades.
Quais as prioridades e projectos da CDU para os próximos quatro anos?
Em primeiro lugar, captar investimento que crie emprego qualificado, condição essencial para fixar jovens.
No ambiente, há carências a resolver, nomeadamente a falta de ETAR nas aldeias. Conheço bem essas necessidades por estar diariamente em contacto com a população.
Na mobilidade, queremos melhorar as acessibilidades para Alcácer.
No turismo, queremos apostar na valorização da gastronomia e da cultura local, criando um turismo de excelência.
E daremos mais apoio aos pequenos investidores locais, ajudando-os a aceder a programas de apoio que muitas vezes desconhecem.
E no que respeita à habitação?
É uma prioridade absoluta. O município começa a ficar sem terrenos para construção a custos controlados. Temos alguns lotes, mas é preciso rever regulamentos.
A Câmara já disponibilizou cerca de 30 lotes para jovens com desconto de 50 por cento na aquisição, e queremos apostar mais em habitação a renda reduzida.
Como reforçar a cooperação entre Câmara e juntas de freguesia?
Defendo maior descentralização de competências. O concelho é muito grande. As juntas podem assumir mais responsabilidades, especialmente nas aldeias.
O que distingue o programa da CDU das outras forças políticas?
Para começar, apresentámos desde cedo os candidatos e cabeças de lista. As outras forças ainda não o fizeram. As populações conhecem a CDU, sabem que trabalhamos com honestidade e dedicação. Os outros aparecem de quatro em quatro anos, nós estamos diariamente com as pessoas e instituições.
Quem o acompanha na lista para o executivo municipal?
São pessoas de minha total confiança, com experiência de vida e dedicação ao concelho.
Que reacções tem recebido?
Muito positivas. A população conhece o meu trabalho à frente da União de Freguesias, que cobre 70 por cento do território. Nas arruadas sentimos entusiasmo, com equipas jovens e confiantes.
Que mensagem deixa aos alcacerenses?
Ao longo de 49 anos de Poder Local Democrático, a CDU esteve 41 à frente do concelho; o PS apenas dois mandatos. A diferença é clara: trabalho, honestidade, competência. O nosso lema é «Provas dadas, trabalho garantido». As pessoas sabem o que já fizemos e sabem que podem confiar na CDU para continuar este caminho.