- Nº 2703 (2025/09/18)

Educação, habitação e proximidade são marca da CDU em Santiago do Cacém

CDU

O Avante! entrevistou Álvaro Beijinha, actual presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém (CMSC), que fez o balanço do mandato da CDU, destacando obras, investimentos em educação, habitação e desenvolvimento económico, e a proximidade com a população. Vítor Proença, candidato da CDU à presidência, apresenta a sua visão para o concelho, defendendo a continuidade do trabalho realizado e propondo reforçar a gestão municipal, preparar o território para os novos investimentos e preservar o ambiente, sempre com atenção às necessidades da população.

Como avalias o balanço do mandato da CDU na CMSC nos últimos quatro anos?

Álvaro Beijinha: Eu sou sempre suspeito, mas penso que o balanço é francamente positivo. Direi mesmo que, dos três mandatos em que assumi as funções de presidente da Câmara, este foi o mandato melhor, com mais intervenção, mais obra e mais capacidade, em termos de organização interna da Câmara. Por outro lado, as coisas estão mais arrumadas do que estavam há quatro anos, resultado de um trabalho colectivo, naturalmente em que o presidente da Câmara é o rosto mais visível, mas que é fruto de uma gestão com o nosso ADN: muita proximidade às populações, participação local e atenção permanente às suas necessidades. Somos um concelho muito grande e disperso, o que exige esta política. Se tivéssemos uma política restrita aos gabinetes, o balanço seria outro.

Que áreas tiveram maior progresso durante este mandato?

Nos últimos 12 anos, uma área que me orgulha particularmente é a educação. Requalificámos todas as escolas da nossa responsabilidade, defendemos as escolas rurais e investimos muito nelas. Todas as salas têm ar condicionado, parques infantis, campos de jogos e quadros interactivos. Até ao final do mandato, o pré-escolar também terá quadros interactivos. Aprovámos a entrega gratuita de cadernos de fichas a todos os alunos até ao 12.º ano e o transporte escolar é totalmente gratuito. Herdámos competências das escolas do 2.º e 3.º ciclo do secundário há três anos, e actualmente fazemos a gestão directa dos refeitórios, garantindo melhor qualidade para os alunos. A educação foi, portanto, uma área de forte progresso.

Esse investimento fixou pessoas no concelho?

Claramente. Durante o período em que se tentou encerrar escolas rurais, a CDU contestou e investiu para manter estas escolas abertas. Uma família que queira fixar-se numa aldeia como a Abela, por exemplo, verifica que a escola tem boas condições e mantém a comunidade viva. A escola é o centro da comunidade e é fundamental para a coesão social.

De que forma o Poder Central respondeu às necessidades do concelho?

O Poder Central responde sempre de forma deficiente. Na educação, por exemplo, o Estado praticamente não investiu nas escolas secundárias durante 40 anos. O que a Câmara fez demonstra a diferença de atenção local às necessidades da população.

Foi a luta da população que travou o encerramento de postos da GNR?

Sim. Em Cercal, por exemplo, houve uma redução significativa do efectivo, mas a intervenção da Câmara e das juntas evitou o encerramento, criando alternativas com espaços municipais. A participação da população foi decisiva.

Investimentos na mobilidade podem trazer maior desenvolvimento económico?

São exigências de muitos anos, mas tardias. A obra na ferrovia entre Santiago e Santo André está atrasada, assim como a manutenção dos caminhos paralelos ao IP8. Apesar de protestos e reivindicações, a resposta do Governo tem sido insuficiente.

Habitação a custos controlados e Programa 1.º Direito: qual o impacto esperado?

A Câmara apoia a criação de cooperativas de habitação cedendo terrenos gratuitamente. Em Santo André, já foram construídos cerca de 300 fogos. O programa 1.º Direito prevê 48 novos fogos, além da requalificação de imóveis municipais. Estes investimentos contribuem para o acesso a habitação e fixação de famílias no concelho.

Que investimentos económicos foram realizados e que projectos estão previstos para o futuro?

Foram requalificados e ampliados vários parques empresariais, incluindo Santo André e Santiago do Cacém, e comprámos terrenos para ampliar outros. Mais de 70 empresas instalaram-se no concelho, principalmente prestadoras de serviços para as grandes empresas de Sines.

Qual o impacto esperado do novo lar para idosos em Vila Nova de Santo André?

Trata-se de uma resposta fundamental para a população sénior. O terreno foi cedido pela Câmara, que também comparticipou financeiramente o projecto, garantindo que a obra avançasse. Será um reforço da rede social e de apoio aos idosos.

Que ações culturais, desportivas e de lazer foram desenvolvidas e qual o impacto?

Apoio ao movimento associativo, requalificação de cineteatros e oferta cultural foram determinantes para criar oportunidades para jovens e para a população em geral.

Como avalia a relação da Câmara com as freguesias?

A proximidade é fundamental. A colaboração entre Câmara e juntas é um património da CDU e garante que as acções locais sejam eficazes, mesmo em freguesias que não sejam da CDU.

E a colaboração com os trabalhadores municipais?

Determinante! Apesar dos baixos salários da Função Pública, temos profissionais competentes e leais. A opção por administração directa permite realizar obras e serviços com qualidade e eficiência.

Como vê o regresso de Vítor Proença à política local e o impacto no concelho?

Vejo com naturalidade. Trabalhei com ele durante oito anos e conheço o seu compromisso. Garantirá continuidade e o concelho ficará em boas mãos.

 

Vítor Proença defende continuidade do trabalho e critica alianças encapotadas no concelho

Vítor Proença, candidato da CDU à presidência da CMSC, vê os últimos 12 anos do concelho como um período de grande dinamismo e progresso. Em entrevista ao Avante!, destaca o trabalho liderado por Álvaro Beijinha e as suas equipas, sublinhando que o caminho percorrido deve ser consolidado e aprofundado, tendo em conta os novos desafios que se colocam ao concelho.

Sobre o cenário político local, Vítor Proença é claro ao denunciar o que considera uma «coligação disfarçada» entre PS e PSD, que terão desistido de apresentar candidaturas com os seus próprios símbolos após o anúncio da candidatura da CDU. «Toda a gente percebeu que se trata de uma coligação com medo da vitória da CDU. Nós aparecemos de cara destapada, com os nossos símbolos e independentes», afirma. O candidato aponta também a criação da Plataforma Cívica – Renovar, por forças como BE, PAN e Livre, como mais um exemplo de alianças camufladas, reforçando que «quem vai de cara à vista, tal como é, é a CDU».

Com vasta experiência acumulada, nomeadamente no município de Alcácer do Sal, o candidato afirma que a experiência é uma mais-valia, mas destaca que o essencial é «ter um projecto, uma ideia, colectivos fortes, dinâmicos e empreendedores». O seu percurso é inspirado pelos valores da democracia e por um Poder Local «honesto e competente».

Quanto ao futuro programa para Santiago do Cacém, Vítor Proença aponta quatro eixos fundamentais: reforçar a estrutura municipal para responder à transformação do território, nomeadamente no triângulo Sines-Santo André-Santiago, que se prepara para receber milhares de pessoas; tornar o concelho mais atractivo para residir, promovendo a qualidade de vida nas vilas e aldeias; proteger o ambiente e os ecossistemas locais; e aprofundar a democracia participativa, valorizando os trabalhadores da autarquia e fortalecendo a gestão municipal. «Estamos a preparar o concelho para o futuro, com os pés bem assentes na realidade e os olhos postos no desenvolvimento sustentado», conclui.